Efeito das classificações do ciclo 2007_2009

Janeiro 10, 2010

Na minha escola, em reunião com a Direcção da Escola efectuada em dia do primeiro período que  já não recordo, os professores que poderiam ser classificados com Muito Bom ou Excelente pelo facto de terem exercido  ou sido designados para cargos de prática avaliativa, ainda que nula (CCAD, avaliadores com exercício ou sem exercício, etc.)  tomou-se uma decisão que merece ser conhecida.

Por unanimidade, esses professores decidiram abdicar da possibilidade de ter Muito Bom ou Excelente, mesmo tendo alguns deles quase a certeza que uma daquelas menções não lhes escaparia. Gente que teve uma participação fantástica durante este biénio, quer quando nos órgãos em que tinham assento procurarando produzir reflexões e documentos de suporte à avaliação de desempenho, quer em manifestações de demonstração da iniquidade do modelo de avaliação (greves, plenários, manifestações,…). Alguns faziam mesmo o papel de missionário durante parte da semana e de militante subversivo noutra.

Não é por eu estar no grupo destes professores que tinha quase como certa a menção de, pelo menos Muito Bom, que me faz arrepender do que quer que seja. Coerente do principio até ao fim.

Fora desta tomada de posição ficaram três professores que solicitaram aulas assistidas ou observadas e que obviamente não foram convocados para esta reunião. Ainda não sei se algum deles (ou todos, não havia problemas) vai ostentar o título de Professor do Ano, A Grande Escolha ou similar. Ficam ainda de fora desta contabilidade, os professores a serem avaliados pela Direcção Regional. Também não conheço a classificação final e se  Gestor do Ano também será sido uma menção atribuída.

Quando se toma esta decisão, já era conhecida a proposta ministerial de conceder uma bónus importante aos putativos candidatos ao escalão 370 para os que até 2012 consigam duas menções grandalhonas. Mesmo assim, a decisão foi tomada.

Uma das reivindicações em que os Sindicatos deveriam ser intransigentes deveria ter sido esta. Não há méritos para além do diploma com oferta de moldura. Não haverá gente prejudicada, foi afirmado pela ministra Isabel Alçada. Deveria ser dito que ninguém deveria ser beneficiado por este ciclo de avaliação. Afinal 140 000 estiveram em Lisboa a fazer o quê?


Horário de Professores

Janeiro 10, 2010

Declaração de interesses: lecciono apenas duas turmas, sou director de turma e desempenho alguns cargos de pouca importância numa escola com muitos professores com bastantes reduções resultantes da aplicação do ECD.

Desde a primeira hora de ECD que se consagra a redução de componente lectiva em função de tempo-idade do professor.  Por essa aplicação é que tenho a carga lectiva que tenho e por isso é que a minha cara metade tem a carga que tem.

Se em escolas com quadros jovens são poucos os professores com redução de componente lectiva, nalgumas escolas a soma de todas as reduções de carga lectiva é enorme, atrapalhando-se entre si os professores com redução.

De há muito que defendo que a redução da componente lectiva deveria ser reformulada. Da minha experiência profissional, sei quando tive mais dificuldade e menos tempo para me preparar para o meu trabalho de escola. Quando novo, com escassos recursos mobilizáveis, etc.

Nem sempre a redução de componente lectiva se traduziu em competente exercício de outras funções. Os professores com mais idade podiam dar mais aulas do que aquelas que efectivamente dão e os professores mais novos deveriam ter menor componente, deixando-lhe mais tempo para a sua preparação. Seria possível fazer estas compensações, não acarretando com esta medida o aumento do desemprego.

Ainda aquela contagem de horas de professor A que deve ter as 22 horas (ou equivalente) não tem sentido continuar a ser vista como quem contava o quarteirão da sardinha. Arranhava o estômago, ver os senhores inspectores baterem na ilegalidade de horários dentro do mesmo grupo em que um professor B tinha horário incompleto por ter só as 21 horas e outro professor C tinha 23 horas – uma extraordinária- quando se sabia que era impossível face à distribuição individual acertar nas 22 horas. Talvez se deva evoluir para um horário de disciplina ou de grupo disciplinar em que aqueles valores devam ser tomados como referência e como determinação do número de horas de cada disciplina ou grupo disciplinar em que mais duas horas no horário X e menos duas no horário Y sejam irrelevantes.


A (não) carreira docente

Janeiro 10, 2010

Usamos e abusamos de nomenclaturas sem pensarmos muito no seu significado. Carreira docente é uma expressão usada exaustivamente por todos.Numa breve declaração de interesses digo que estou no 37º ano de docência, só por dois anos não dei aulas por execício de cargos de gestão. Mas para efeito de raciocínio e sem perda de generalidade, sempre fiz a mesma coisa, o DAR AULAS. Não interessa se fui bom, se mau, se excelente e medíocre, se líder se fui com os outros. Por outro lado, entrei no ensino, no longínquo ano de 1973 quando o sitema educativo público português estava em franca massificação e não tinha quadros que alimentassem a energia necessária ao desenvolvimento do sistema. No dia de hoje que o sistema resfria e contrai, as necessidades são bem diferentes e são de outra natureza.

Num percurso destes, onde se sente a ideia de carreira. Se ainda fosse maratona… Os maratonistas metem aquela passada e passados os 42 quilómetros e mais uns metros terminam a sua prova. Somos mais maratonistas do que carreiristas.

Nós, professores, para justificarmos para a opinião pública e governantes certos pontos de vista, argumentamos que não é correcto o paralelismos com as carreiras militares, ou médicas ou outras, citando casos em que diferenças funcionais são evidentes nos diferentes estádios das ditas carreiras.

A dita carreira docente bebe a sua estrutura no antigo regime de diuturnidades da função pública que advinham da antiga senhora, composta por um esquema posterior de fases e materializa o lema que afirma que a velhice é um posto.

Eu digo que neste momento estou entre os mais bem pagos professores do Ensino não superior em Portugal por ser dos mais velhos, repito, por ser dos mais velhos.

Reflicta-se um pouco sobre as implicações deste facto em termos da melhoria do ensino público português.

Como se deve sentir o jovem e brilhante professor sabendo que só dentro de vinte e tal anos tem um vencimento de acordo com o seu valor? O mais provável é que a vontade de saltar para fora do sistema o roa todos os dias. O sistema de remunerações da tal carreira é frustante para os jovens professores. Não é possível ser um jovem de 30 anos o melhor professor de uma escola? É. È possível ele ser o mais bem pago ou dos mais bem pagos? Não.

Não é possível um velho professor ser dos mais medíocres do sistema? É. Deixará por isso de ser dos mais bem pagos? Não.

Um forma de remuneração com base na competência é o melhor caminho para que o ensino público crie condições para ser competitivo e enriquecedor e deixar de ser só..dar aulas..infectar alunos com conhecimento…por vezes, de uma forma medíocre e bem paga…outras vezes, de modo excelente e mal pago.

Poderão objectar, fala assim por já estar no topo da carreira. Replico dizendo que estar no topo dá-nos uma forma de ver que não temos no início ou nos primeiros tempos de carreira. Ninguém conclua destas palavras que sou contra os professores seniores. Pela parte que me toca, vejo neles uma reserva de valores e de competência que, muitas vezes, têm suportado os vendavais que desvastam as escolas portuguesas.


Um novo entendimento

Janeiro 10, 2010

Parafraseando alguém, Não estou feliz por estar aqui, ma poderia estar bem pior.

1) Aquilo que alguns achavam impossível, aconteceu. Há acordo para acabar com a categoria de professor titular. Saúde-se. Com efeito, a sua criação, ou melhor, a forma como foi dada à luz esta categoria de profissionais só numa cabeça que não compreendeu o que se passava nas escolas poderia conceber. Fui titular por ser velho suficiente e por ter exercido uns cargozitos. Estes até poderiam ter sido por não ter horário completo e, para o completar, o Conselho Executivo da altura, amigão, até arranjou umas horitas de tachito,e, cantando e rindo, na hora da candidatura aí estava eu com mais de uma centena de pontos.

2) Criaram-se alguns constrangimentos para a progressão na carreira para que esta não decorra a velocidade uniforme. Saúde-se a intenção. Os bons profissionais não tem que ter medo deste filtro. Se são bons profissionais e têm receio das maquinações hierárquicas, envolvam-se mais na vida na escola procurando influenciá-las de modo mais nítido e não limitem a sua intervenção ao dar aulas.

3) Nos procedimentos de avaliação não se avançou muito e talvez não fosse o momento certo para o fazer. Penso, contudo, que a avaliação, embora seja matéria associada à carreira, não é uma questão que seja predominantemente sindical. Prefiro vê-la como uma forma de expressão da autonomia das escolas e limitaria a sua regulamentação a linhas tão gerais quanto suficientes para criar um perfil nacional de avaliação. Se a avaliação visa essencialmente a melhoria da criação escolar através do desenvolvimento profissional dos professores de forma individual e do reforço de  dinâmicas colectivas, subvalorizando a dimensão de progressão na  carreira, as escolas deviam tomar a responsabilidade maior na resolução do problema. Já o disse  e reafirmo, nem daqui a 50 anos chegaremos a um acordo sobre um modelo de avaliaçãpo que agrade aos professores de mais de metro e oitenta e aos outros, aos de Francês e aos outros, aos fenprofistas e aos outros, aos umbiguistas e aos outros. A forma de ultrapassar esta questão é atribuir às escolas a responsabilidade dessa fundamental prática. Obviamente que se levanta o problema das implicações a jusante. Concursos e carreiras. Torná-los pouco dependentes.

4) Finalmente, não acredito que se possa dizer que agora é que vai ser. De fundo, de estrutural, nada se resolveu. Apenas a resolução de uma quezília de natureza eleitoral, não tivesse sido a guerra dos professores uma da razões principais, na opinião dos analistas, para que o partido do governo não tivesse maioria absoluta. Não se poderá ver neste entendimento como um movimento para minimizar os danos, preparando o sucesso de eleições que podem ocorrer dentro de um, dois anos?


Objectivos Individuais ou Objectivos Colectivos Individuais ou objectivos individuais colectivos ou objectivos

Fevereiro 10, 2009

Para quem não corre para o coqueiro…

Sem estar em cima do coqueiro e sem pretender trepar, diviso, para já, duas formas de enfrentar os OI’s ou os OC/I ‘s ou os OI/C’s ou os O’s

Chegado o momento…

1ª opção)


Não entregar objectivos individuais por entender que na legislação em vigor, em particular o ECD – Dec-Lei 15/2007, artigo 44º – ponto 1 estatuir que a primeira fase da avaliação é o preenchimento de ficha de autoavaliação. Chegando essa fase, preencho a minha ficha de autoavaliação. PCE amigo ou Director dirá de sua justiça.

Contras:

Esta opção alimenta o medo de perder este mundo e o outro ou de não ir a tempo de conquistar a Lua.

A favor

A coerência de quem tem vindo a combater este modelo, desde a primeira hora.

Não dá oportunidade de leituras tipo… afinal aceita o modelo e tudo o que ele implica.

2ª opção)


A força da união ou costas com costas.

Uma posição colectiva de interpretação do que são, neste momento, os objectivos individuais. Estes são essencialmente aqueles que contribuem para o desenvolvimento do PEE e PAA, tendo como grande horizonte a qualidade do ensino e das aprendizagens, bem como o desempenho de todas as tarefas que me forem cometidas, dentro do conteúdo funcional do professor.

A entrega de objectivos individuais poderia fazer-se com base no CTRL + C e CTRL +V, numa Sessão Administrativa a marcar para o efeito. De montão e de roldão a caminho do CE.

Contra

Afinal sempre entregaram objectivos, eheheheh

Favor

Perdemos o medo do processo disciplinar e isto funciona como o Valium 15.

Estou disponível para outras opções e para alinhar com companheiros de viagem naquela que se entender ser o melhor e mais coerente caminho

Como potencial candidato a Excelente ou Muito Bom:

Para me gozarem com… Olha o Excelente 2009 ou o Muito Bom – Grande Escolha 2009, declaro que não sou candidato às notações de excelência.

Sem pretender arrastar ninguém, não terei em grande conta estas colheitas de 2008/2009. Sempre me saberão a gato por lebre, produto contrafeito, sexo virtual, vinho azedo açucarado com Coca Cola ou aquela sardinha que se rouba quando está escuro e estou sozinho. Saberei tirar o chapéu a quem tiver coluna.

professor titular, membro (forçado) da CCAD, putativo candidato ao hipotético 4º escalão de vencimento do futura ECD para o qual precisarei de 2 eventuais classificações de MB ou Exc nos próximos biénios a somar aos 8 anos que já tenho de 10º escalão e provavelmente com os efeitos desta minha atitude perderei o bilhete para acesso à Lua ou o prémio bíblico de encontro com Deus, qual Moisés.

Seia, Fevereiro de 2009.


Depois do simplex 2

Dezembro 18, 2008

1) As manifestações e greves foram muito importantes. Elas obrigaram a um monumental recuo por parte do ME. Se a opinião pública assim não pensa, não me preocupa muito.

2) Para se assemelhar ao modelo anterior não falta muito ou mesmo nada. Concordo que este simplex não é substantivamente diferente do apresentado pela plataforma. Será zarolhice minha ver deste modo?

3) A execução deste processo para atribuiçãode nota reclamada pela Administração demonstrará que os pressupostos para a melhoria da qualidade do ensino não cabem neste protocolo.

4) A execução revelará as lacunas deste faz-de-conta-que-é-um-modelo e poderá e deverá dar reflexões significativas para o modelo seguinte;

5) Caso não se requeiram aulas assistidas, a questão de referendar a existência dos titulares não se põe por eles não intervirem, ficando tudo na mão do PCE, representante da tutela.

6) Os Muito Bom e Excelente são irrelevantes para aqueles que agora se denominam titulares. Estas classificações apenas podem ser relevantes para os candidatos a titular. Mas, afinal, os não titulares não estão, e com razão, num combate de remover esta divisão de professores? Acreditam, ou não, que esta divisão é para cair?

7) A atribuição de Bom é tão difícil como era o Satisfaz de antigamente.

8) A porta estará aberta para os que defendem a diferenciação e que se querem ver diferenciados.

9) Dizer que os professores revelaram que estão unidos é verdade, dizer que os professores estão a puxar todos para o mesmo lado é uma treta. Nem em 2038 os professores estarão de acordo com um modelo de avaliação.

10) Estive em duas manifestações e na greve, de corpo e alma. Neste momento começo a pensar que a saída é avançar para este faz-de-conta-que-é-um-modelo e usar a prática para demonstrar que se o simplex2 é de exequibilidade duvidosa e não atinge minimamente o desejado, o que seria se o modelo fosse mesmo aquele que estava desenhado.

11) As energias não são infinitas e acho que o modelo está completamente descaracterizado, é, como alguém dizia, cadáver. Em termos de trabalho ad-hoc, isto é, para o efeito da avaliação, a bola está mais do lado do avaliador do que do avaliado. Basta que seja igual a mim próprio e a avaliação seja uma coisa natural.

É preciso pensar…


Duas categorias de professores

Novembro 23, 2008

Parece-me consensual que o ECD é considerado como a etiologia mais credível para a revolta dos professores, ao definir a divisão dos professores em duas categorias de profissionais. Mais profundamente, na maneira crua (reservo-me nos qualificativos) como se processou a tal divisão, longe de critérios de qualidade que o mister exigia.

Penso que nas escolas há lugar para mais que um tipo de professores, de conteúdo funcional diferenciado, mas com um substancial tronco comum. O articulado em sede de ECD das funções atribuídas ao dito titular, no seu artigo 35º não atribui, de imediato, ao professor titular a função de avaliador. De resto, as atribuições do professor titular definidas no tal artigo parece terem sido definidas a partir da necessidade de gerir a redução da componente lectiva atribuída pelo artigo 79º. Com efeito, temos que reconhecer o desperdício que era atribuir novas reduções da componente lectivas por exercício de cargos, criando situações que feriam valores éticos, como por exemplo, a possibilidade real, embora não muito frequente, de um professor leccionando meia dúzia de horas efectivamente lectivas ainda receber um pagamento extraordinário.

A exigência do próprio RAAG, pelo Dec Lei 115ª/98 exigia eleições para a direcção de estruturas intermédias como coordenação de departamento ou grupo, sem restrições relevante. A escolha podia incidir em professores com nenhuma ou pequena redução da componente lectiva, suscitando assim redução da componente lectiva para o exercício. Aceito como boa a solução de a redução da componente lectiva, mantendo-se, deve ser usada para o desempenho de cargos. Não tenho tanta certeza, assim, que o espírito da actual forma de conceder redução seja a mais correcta.

Das duas uma: ou o exercício de cargos se entrega a professores com redução e não ocorrem reduções sobre reduções ou qualquer professor deve poder exercer os cargos e a redução de componente por antiguidade não tem muito sentido.

O surgimento de uma nova categoria de professores que, para além do serviço lectivo, desempenhe as funções como as referidas no artigo 35º do ECD é inevitável. A forma de acesso é que não pode ser aquela que gerou os actuais titulares. Se aos professores seniores lhes, em muitos casos, é reconhecida muita experiência e grande sustentação na identidade de cada Escola, não é menos verdade que entre professores, com menos anos de serviço, que fizeram formação em áreas específicas se podem tornar mais valias para o desenvolvimento da escola.

1ª Afirmação: Na escola portuguesa há lugar a pelos menos duas categorias de professores.

2ª Afirmação: O acesso deve ser baseado em critérios de qualidade e competência reconhecida.

Isto levanta problemas. Que fazer com os actuais titulares? A solução mais fácil seria a inexpectável revogação da lei. Sou independente de partidos, acho que a melhor forma de desfazer uma lei é desfazer a lei.

Não se infira alguma menor estima pelos actuais titulares, eu próprio sou titular, mas reconheço a actual importância de titulares por dois motivos. Primeiro é que a escola é movida, em grande parte, por alguns titulares. O segundo é por haver titulares que em nada são diferentes do professor. Um segundo b) há titulares que se fazem notar por nada fazerem que justifique a categoria.