Na minha escola, em reunião com a Direcção da Escola efectuada em dia do primeiro período que já não recordo, os professores que poderiam ser classificados com Muito Bom ou Excelente pelo facto de terem exercido ou sido designados para cargos de prática avaliativa, ainda que nula (CCAD, avaliadores com exercício ou sem exercício, etc.) tomou-se uma decisão que merece ser conhecida.
Por unanimidade, esses professores decidiram abdicar da possibilidade de ter Muito Bom ou Excelente, mesmo tendo alguns deles quase a certeza que uma daquelas menções não lhes escaparia. Gente que teve uma participação fantástica durante este biénio, quer quando nos órgãos em que tinham assento procurarando produzir reflexões e documentos de suporte à avaliação de desempenho, quer em manifestações de demonstração da iniquidade do modelo de avaliação (greves, plenários, manifestações,…). Alguns faziam mesmo o papel de missionário durante parte da semana e de militante subversivo noutra.
Não é por eu estar no grupo destes professores que tinha quase como certa a menção de, pelo menos Muito Bom, que me faz arrepender do que quer que seja. Coerente do principio até ao fim.
Fora desta tomada de posição ficaram três professores que solicitaram aulas assistidas ou observadas e que obviamente não foram convocados para esta reunião. Ainda não sei se algum deles (ou todos, não havia problemas) vai ostentar o título de Professor do Ano, A Grande Escolha ou similar. Ficam ainda de fora desta contabilidade, os professores a serem avaliados pela Direcção Regional. Também não conheço a classificação final e se Gestor do Ano também será sido uma menção atribuída.
Quando se toma esta decisão, já era conhecida a proposta ministerial de conceder uma bónus importante aos putativos candidatos ao escalão 370 para os que até 2012 consigam duas menções grandalhonas. Mesmo assim, a decisão foi tomada.
Uma das reivindicações em que os Sindicatos deveriam ser intransigentes deveria ter sido esta. Não há méritos para além do diploma com oferta de moldura. Não haverá gente prejudicada, foi afirmado pela ministra Isabel Alçada. Deveria ser dito que ninguém deveria ser beneficiado por este ciclo de avaliação. Afinal 140 000 estiveram em Lisboa a fazer o quê?
Publicado por António Abrantes