CCAP – um empecilho ou um aliado?

Outubro 20, 2008

Caso este modelo de avaliação não vá pelo esgoto abaixo, as recomendações do CCAP podem trazer alguma saída para as escolas. Sem pretender glorificar p CCAP e a sua profícua ineficácia (?), considero que este órgão teve posições interessantes acerca do modo de as escolas encararem este processo. Nomeadamente, ao considerar que em 2008/2009 os progressos dos alunos não deveriam ser traduzidos am aferição quantitativa e deixando a entender que mesmo nos próximos anos a sua consideração deverá ser suportado por comparações credíveis que parece não existirem nem tão cedo virão a existir.

Parece-me que muitas escolas deram mais ouvidos a um órgão que na matéria é zero (Conselho de Escolas) e desligaram de um órgão criado (mal nascido, é um facto) que tinha como função criar um conjunto de recomendações (CCAP). Este produziu pouco, mas as escolas, em grande medida, não deram muita importância a esse pouco produzido. A DGRHE e o CE tiveram uma força que o CCAP nunca teve, muito, acho eu, por culpa dos PCE´s e dos CP´s.

A dissolução do CCAP nada resolve.

Não nos iludamos, as energias têm que ser dirigidas para o ECD, para este modelo burocrático de avaliação e as condições de trabalho nas escolas. Não é o CCAP nem são os sindicatos ou os movimentos independentes que constituem os meus alvos. A arrogância e a prepotência do poder representado por esta equipa ministerial devem merecer a atenção de todos . A dissolução desta equipa ministerial constitui um passo decisivo para que a paz volte às escolas. Com estes, só por obrigação…


DEZ RAZÕES PARA IR PARA A RUA, A 15 DE NOVEMBRO

Outubro 14, 2008
  1. Este modelo de avaliação afoga o trabalho mais importante das escolas: aulas bem preparadas para que os alunos cresçam.
  2. Este modelo trucida-me responsabilizando-me pelo abandono escolar e pelo insucesso, factores que não me podem ser imputados de modo unívoco e a apostando em capatazes da avaliação porventura afastados do meu trabalho;
  3. O ambiente criado por este modelo entre professores é destrutivo das relações necessárias ao bom desempenho.
  4. A divisão economicista da carreira de professores, divisão sem qualquer critério de competência ou mérito reais;
  5. O meu protesto pelas condições de aposentação. No dia anterior à publicação da lei que altera a aposentação faltavam-me três anos para a reforma. Passaram a faltar-me 10.
  6. A falta de apoio efectivo à autoridade do professor. Não é enxovalhando o professor que se reforça a sua autoridade, ainda que me passem a mão pelo pêlo, atribuindo-me parte dos louros do sucesso do governo.
  7. Contra o sucesso escolar da estatística, a favor da educação e saber reais. O facilitismo é um balde de trampa em cima do meu trabalho e de muitos dos meus alunos;
  8. A prepotência desta equipa governamental e a sua desonestidade intelectual
  9. Dizer aos sindicatos que professores não são dirigentes sindicais. Os professores sabem o que se passa nas escolas. A maior parte dos sindicalistas não. Se soubessem, não aceitariam a pesporrência do ME.
  10. Quero gritar: deixem-me respirar.

Provavelmente arranjarei mais, muitas dezenas de razões.

O que ganharei se ficar em casa no dia 15 de Novembro? Nada.

O que ganhei em 8 de Março? Muito. Posso acreditar que se em Março fomos 100 mil, em Novembro seremos, pelo menos, 110 mil, contando com os colegas que foram empurrados borda fora através da aposentação penalizada.

 


De regresso, com balanço

Outubro 14, 2008

A minha escola irradia felicidade e não deve pertencer àquele país que muitos blogues e outra imprensa apregoam como o tal onde os professores não têm tempo para preparar as aulas por terem imensas outras coisas que os ocupem. Devo estar uma escola do País das Maravilhas onde Alice era alegre e feliz. Feliz e alegre não pode ser o país de Maria de Lurdes Rodrigues.

Um início atipicamente feliz, sem Conselho Pedagógico inicial e uma reunião tardia, com uma reunião geral de professores onde nada se disse, com aquele trabalho comum, em regime de autogestão, de planificar, de definir critérios de avaliação, em que, para alguns, há umas reuniões que parecem prolongar-se muito para além daquilo que seria sindicável, porventura sem convocatória, porventura proporcionando um horário semanal para além das 50 horas, porventura engordando um bicho que acabará por morrer empanturrado. Um início despreocupado, como convém em ano de visita agendada pela senhora inspecção.

Cheguei ao monstro da avaliação que se está a engordar com comida servida às claras em reuniões e em surdina, naquele ar de conspiração e de cochicho. O monstro cresce, cresce, apesar de alguns sinais de que o seu crescimento está cravado de algumas maleitas que o podem levar à morte, por muito que o criador ou criadores o queiram ver em desfile para imprensa ver.

Baixinho se vai dizendo que o bicho não tem as vacinas em dia nem o seu pedigree teve publicação correcto no diário da nação. Com tantos erros de direito… Os tratadores não estavam devidamente credenciados para o efeito, por a qualidade de reprodução não ser certificada no diário da nação. Aqui há bicho… Pode mesmo a ASAE vir a retirá-lo do mercado pela ausência de credenciais?

Valha a verdade, neste ano vale tudo, menos conseguir trabalhar tranquilamente com os alunos. Vou esquecendo as razões da minha entrada na escola como professor. Alunos? Há pois, também os há!

Às tantas, ainda bem que a minha escola é assim, tão …


Educação e Crise Financeira

Outubro 14, 2008

Segundo alguns analistas, a crise financeira é, em grande parte, devida à avaliação de curto prazo que exige resultados trimestrais a todos os agentes do capital. O pressing para obter resultados dá origem à colocação no mercado de produtos financeiros de valor nulo ou de valor virtual, que encantam por apregoadas vantagens potenciais de lucro.

Não interessando o contravalor do produto ou a riqueza a ele associada, com a a avaliação e supervisão baseadas em números, em vez do substrato económico, o mundo viu-se empurrado para uma crise da qual ninguém conhece a verdadeira dimensão.

Os bancos centrais no seu supremo poder de parir dinheiro estão a tapar o sol com a peneira, a dar tempo ao tempo e a vida continua, até à próxima derrocada que também ninguém saberá dizer se explodirá ou implodirá daqui a um dia ou daqui a um ano ou daqui a uma década. Todos estarão de acordo que a crise mais dia menos ano fará mossa na vida global.

A educação em Portugal, qual imagem da sociedade que a organiza, está seguindo o mesmo paradigma. Ela assenta em números, em estatísticas, numa demagogia, numa desonestidade intelectual cruel com a qual nenhuma pessoa de educação real poderá pactuar. Estamos a criar números de sucesso em detrimento do real saber. Estamos no nível mais baixo do conhecimento de que há memória. Alunos de excelentes classificações de hoje não passariam de alunos medíocres quando comparados com alunos médios de décadas anteriores.

A diferença entre a crise o sistema financeiro é que não existem bancos centrais para injectar conhecimento na sociedade.


As razões das boas notas

Julho 4, 2008

Os resultados de Matemática revelam uma subida de de 3.1 valores na média nacional o que representa uma taxa de evolução de +33% em relação ao ano de 2007 e de 71% em relação a 2006!

Notável, em qualquer parte do mundo. Os chineses ficarão assustados quando derem conta que lá longe, num rectangulozinho banhado por um oceano, há algo que evolui de um modo mais favorável que o seu PIB.

Bem elaborado ou mal elaborado, o exame de Matemática do 12º ano de 1ª fase de 2008 foi a prova mais fácil que eu já vi para este ano de escolaridade em muitos anos vividos. Nunca alunos meus tiverem que responder a um teste tão fácil quanto este. Será falha minha que não consegui perceber o carácter minimalista do programa e das recomendações superiores?

Começo a viver um profundo dilema ou trilema: devo procurar manter o nível de exigência, devo baixar o nível de exigência ou devo aumentar o nível de exigência?

Ainda não conheço as classificações dos meus alunos e a correlação que se irá registar entre classificação interna e classificação de exame. Mas tenho a certeza que duas das razões que MLR e a sua equipa apontam para a melhoria de resultados não se aplicam.

  1. O PAM ainda não chegou ao 12º segundo ano e só em 2012 os alunos do plano chegarão ao 12º ano.
  2. Os alunos da minha escola nunca tiveram tão pouco apoio intramuros como no ano que agora finda. Não havia horas de apoio disponíveis na escola para essa ajuda.

Há uma, boa ou má, razão para este boom: a facilidade da prova. Se este for o caminho para o sucesso, que o ME o assuma e deixe-se de tretas.

O ME exulta com o elevado coeficiente de correlação de 0,71. Se a prova fosse menos fácil tal valor seria ainda maior. Numa prova como esta, um aluno razoável consegue ter um desempenho próximo de um aluno muito bom.


Observação de aulas

Maio 23, 2008

O DR 2/2008 prevê que todos os professores devem ter pelo menos 3 aulas assistidas, cada uma delas em unidade didáctica diferente,

O quintal de cada um de nós prepara-se para ser invadido, criando uma situação novíssima e de ruptura. Em termos de procedimento, a assistência a aulas constitui uma das maiores rupturas com o passado

Muitos professores, incluindo-me a mim próprio, durante largos anos, fizeram sentir que a avaliação de professores era uma obra inacabada, incompleta, imperfeita, eventualmente inverdadeira.,ao não passar pela observação de aula, ainda que de forma pontual, A lei , embora não o impedisse, também não entreabria a porta da sala de aula.

O grande objectivo de assistir a aulas, em minha opinião, não é a recolha de dados para julgar o observado. O enfoque da observação deve situar-se na reflexão partilhada acerca de práticas em ambiente de aula, conducentes ao desenvolvimento profissional do professor e, por efeito, conducentes à melhoria das aprendizagens.

Face a esta premissa e tendo em conta que o coordenador observador é um par do observado, pode não ter sentido repetir observações sobre alguns professores. Qual o sentido de, apesar do coordenador reconhecer que um colega observado é muito melhor que ele, prosseguir com as observações? Só para dar cumprimento à lei? Aplicar a todos a mesma medida de observação pode não ser uma boa medida para rentabilizar tempo e para o direccionamento essencial da acção da observação.

Podem ocorrer situações em que um professor necessite de maior ajuda e acompanhamento que outro e, por isso, deva ter mais aulas assistidas. Refira-se que a legislação ao apontar chapa 3 para cada professor e repartindo uma por cada unidade didáctica, subverte as características fundamentais da observação de aulas para a avaliação de professores. Parece querer marcar três dias de juízo em vez de marcar oportunidades de reflexão sobre a prática docente. Parece óbvio que ao querer conhecer-se um professor fosse mais propositado observá-lo num processo continuado do que 3 momentos sincopados, descontextualizados.

Estes cortes são contra aquilo que os professores aprendem e praticam na avaliação dos seus alunos. Qual a razão de a avaliação destes não se reduzir a três testes? Podem não dar uma imagem da progressão e podem não ser oportunidades suficientes para revelar todas as dimensões do seu crescimento. Por isso, a diversidade de instrumentos e de fontes integradas em avaliação contínua.

O facto de constar na lei e de estabelecer uma forma igualitária, não significa, para mim, que esta disposição seja a melhor forma de rentabilizar esta novidade prática, face aos objectivos últimos da avaliação docente.

Por tudo isto, entendo que, durante o ano de 2009, haverá assistência a aulas para todos os professores, não necessariamente em igual número para todos, com o propósito firme de uma avaliação formativa.

Durante este período, o processo analítico das práticas conduzirá à definição dos grandes vectores de observação, Um deles será certamente o rigor científico-pedagógico do processo de ensino e da instrução. Tendo como coordenador o Grande Avaliador, este vector pode ser absolutamente descurado, por haver a possibilidade real de o observador nada ou muito conhecer do conteúdo científico em observação.

Em termos de procedimentos e papelada, não preconizo o envólucro, tipo estágio, da apresentação da documentação. A simplicidade de processos e de documentação entre gente crescida e profissional, deve estar presente neste relacionamento formativo.


Participação de professores na avaliação do Coordenador

Maio 23, 2008

O papel de um tal professor designado por coordenador é extremamente ambíguo, na torrente legislativa deste ano de 2008. Se em alguns contextos, parece que a legislação se refere ao que apelidamos de mega ou de Grande Coordenador, noutros parece referir-se ao actual coordenador de departamento ou mesmo ao delegado de grupo, que pode chamar-se de pequeno coordenador. Por exemplo, quando se quer falar da grande avaliação, parece que o dono da bola coordenadora é o Grande Coordenador, quando se fala de coordenação pedagógico e de currículo parece ser o pequeno coordenador. O surgimento daquele Grande Avaliador, por departamento de recrutamento, ocorre num despacho de delegação de competências que, convenhamos, não será o melhor espaço legislativo para definir as funções de coordenação.

Acrescente-se o facto de, no novo regime jurídico de gestão de escolas, os coordenadores serem nomeados pelo Director ou Grande Chefe. Então, os Grandes Avaliadores agora eleitos, não se sabe bem ao abrigo de que normativo ou regulamento, quando houver Director, devem pôr o lugar à disposição do Grande Chefe que nomeará os novos Grandes Avaliadores, a seu gosto, nada impedindo que até possa designar os existentes actualmente. Mas não deixarão de ter uma aura diferente da que têm hoje. Aqueles, agora, traduzem a expressão de um grupo de professores, depois traduzirão a vontade do Director.

A maior parte das escolas viverá esta situação a partir do próximo ciclo de avaliação.

Daqui decorre que, pelo menos na forma da investidura, os coordenadores do ano de 2008/9 não serão os mesmos que em 2009/2011.

Atendendo que este próximo ano é ano de apropriação, o tema da participação dos professores na avaliação do coordenador, deverá ser discutido no próximo ano, criando-se então uma solução consensualizada.

No sentido da apropriação, o Grande Coordenador não é, de todo, o supra-sumo da eficácia e da sabedoria. O know-how acerca do papel de coordenador começará a ser construído da mesma forma que se constrói o papel do avaliado. O próximo ano é um tempo de construção de papéis, de desempenhos, de definição de práticas.

No final do próximo ano 2008/2009, os departamentos têm a obrigação de apresentar a posição dos professores, completamente sufragada numa reflexão e em práticas assumidas que permitirão ciclos futuros de avaliação suportados em bases aceites e apropriadas.

Do mesmo modo, deve ser remetida para o próximo ano a reflexão acerca dos termos em que a participação dos Grandes Pais se deve processar. Sobre este assunto, talvez seja pertinente pedir a estes uma reflexão acerca do que acham ser importante na consulta, caso ela venha a ser solicitada. Contudo, deixaria ficar uma marca de análise sobre este assunto.

Caso os resultados escolares dos alunos venham a relevar na classificação do professor, os pais são parte interessada na avaliação, podendo criar fonte de pressão sobre o trabalho de professores e uma via para um acerto de contas que pode não abonar a independência do trabalho do docente. Poder assistir-se à situação do professor que dá boas classificações pedir a avaliação do encarregado de educação que poderá ainda reforçar uma classificação eivada, porventura, de facilitismo, enquanto outro professor, que sofrendo os efeitos de os resultados não serem muito bons apesar do seu enorme trabalho, poderá não ver o reconhecimento satisfeito e, por isso, decidir não arriscar com o pedido de participação de Pais. No ensino secundário, talvez fosse pertinente ponderar a participação dos alunos. Pelo menos, os alunos estão na escola e os pais estão em grande parte ausentes da vida real da escola e das vivências dos seus filhos.


Avaliando…a avaliação (II)

Maio 19, 2008

As diferenças entre classificações internas e externas são um bom discriminador?

É muito frágil este separador e por vários motivos.

O primeiro é não ser aplicável a todos os professores. Há disciplinas que nunca apresentam alunos a provas externas o que abrange um vasto número de professores. Dentro do mesmo grupo disciplinar, no mesmo ciclo de avaliação há professores que não são avaliáveis dentro deste parâmetro, Como os ciclos são de dois anos, os professores de disciplinas trienais, em cada três ciclos não são avaliados por uma ou dias vezes. Há ainda aquelas disciplinas de grupo que não têm exame ou aqueles anos de escolaridade em que há professores que leccionam sempre e outros que nunca leccionam o ano terminal.

Se a esta não universalidade, acrescentarmos o convicção de que o professor que prepara turmas em ano de exame são mais empenhados , corremos o risco de penalizar que mais trabalha para o sucesso efectivo.

Fazer depender a avaliação dos resultados dos alunos não é caminho para uma auto-regulação virtual de desempenho? Qual é o problema de aprovar um aluno que deveria ficar retido? Reter é auto-punir, aprovar é manipular.

Imaginemos um cenário como aquele que já vimos descritos de o professor prometer aos seus avaliadores que vai ter 98% de aprovação. Se este professor não tiver que levar os seus alunos a provas externas, à sua actividade docente pode acrescentar uma viola, cantarolando a caminho de uma classificação excelente naquele parâmetro.

Mesmo no caso de não haver discrepância, como se pode garantir que o sucesso é atribuível à acção do professor, mas do explicador, do ambiente familiar, do grupo de amigos, do próprio aluno. Já encontrei alunos que , acho eu, seriam bons quer tivessem o melhor quer tivessem o pior professor da escola

Não é credível um parâmetro deste tipo na avaliação.

Outra coisa bem diferente é o compromisso, o empenhamento e a preocupação do professor em ajudar a sua Escola a alcançar objectivos sustentados no sucesso escolar e de cidadania dos seus alunos. Este não sendo problema de nenhum professor em particular é problema de todos, sem excepção particular.

 

Taxa de abandono escolar

A par da ausência de uma definição de abandono escolar como é possível numa escola de largas dezenas porventura algumas centenas de professores serem pedidas contas individuais a cada professor?

Ninguém duvida que o abandono escolar não é um problema que diga respeito em exclusividade à escola. Qual o valor depositado na escola por vastas famílias portuguesas? Há legitimidade ou não para muitos pais não descortinarem valores na escola para além do desemprego qualificado ou do emprego sub-alimentado? Merece a escola aquela confiança que os nossos governantes apregoam como sendo o camonhop para o sucesso? É legítimo ou não que haja famílias a não embarcar em direcção ao mar da felicidade das Novas Oportunidades?

Em Portugal, a sociedade não consegue fazer acreditar que a Escola é o caminho mais válido e sustentado para uma vida melhor.

Que a Escola não se pode demitir da responsabilidade de fazer passar esta mensagem e de a tornar viva ninguém tem dúvidas, mas responsabilizar cada professor, em contabilidade individual, pelo abandono é fazer depender de cada português a culpa do deficit excessivo. Que culpa tenho eu, individualmente, do estrambalho das contas públicas? Claro que participo, à força, na recuperação das contas públicas, mas Teixeira dos Santos não se lembrou de me vir pedir contas da minha contribuição para a redução do deficit.

 

Conclusão

Há objectivos importantes de expressão colectiva que não têm sentido na responsabilidade individual, embora se tornem exequíveis por accção de todos os intervenientes.

Objectivos de escola sim, objectivos individuais não.

Empenhamento e comprometimento de todos, sim. Premiar os destaques individuais nestas batalhas, sim.

Combater o laxismo, o desleixo, o-não-importa, a demissão, sim.


Avaliando…a avaliação (I)

Maio 19, 2008

Avaliação de professores – avaliação de uma missão específica

O avaliocionismo está a tomar conta de forma obssessivo-compulsiva da administração pública de uma forma punitiva ou, pelo menos, fundada na crença que é preciso caçar os delinquentes cidadãos que violem a lei. Basta vermos os objectivos policiais traduzidos em termos de tantas multas, de tantos processos, de tantas apreensões, de tantos autos, de tantas…para criarmos o senso de que é mais importante para a administração a quantidade de punições que a quantidade de apoios prestados aos serviços e aos cidadãos. Esta é a cultura ASAEANA. Sem defender a impunidade, vou achando que o reforço positivo é mais importante que o reforço negativo.

(Para o nosso primeiro ministro : não pega a miserável desculpa de dizer, Bom, se por acaso infringi alguma norma ou lei, peço desculpa e não volta a acontecer pois vou deixar de…Infantil em regra, miserável num primeiro-ministro…Estou a ver os cidadãos portugueses a pedir desculpa se infringiram alguma regra de trânsito, de fuga ao fisco, de fumar num bloco operatório,…, pois não volta a acontecer…)

Voltando…

A missão do professor é ensinar pessoas, não é aplicar normativos ou regulamentos. O resultado da sua missão não depende exclusivamente de si. O aluno e os seus interesses, o ambiente familiar e social, as suas ambições, a sua concepção de sucesso, etc. uma miríade de factores que tornam a experiência de ensinar 100 alunos em 100 experiências diferentes. Uma missão bem diferente de atender 100 cidadãos que procuram na repartição de Finanças o caminho para a declaração de rendimentos. Cada caso pode ser um caso, mas a cartilha dará a resposta.

Sendo a tarefa de ensinar tão singular, como se pode avaliar o professor?

Podem elencar-se alguns parâmetros de avaliação:

 

Quantas faltas deu?

Isto é um parâmetro de funcionário, não é específico de professor. Mas, já se deram conta que o melhor professor da escola que teve uma avaria no seu veículo numa manhã quando se dirigia para o trabalho e não chegou a horas de entrar a tempo da primeira aula, está afastado da possibilidade de ser classificado com excelente? Não será esta uma avaliação asaeana?

Um professor que nunca falta, o que é uma qualidade a valorizar, é necessariamente melhor professor que outro que, de vez em quando, falta?

 

Quantos alunos aprovou? Quantos alunos reprovou?

Pode ser um indicador significativo, mas não discriminador da qualidade do professor.

Alguém de bom senso quererá comparar profissionais de Educação Física, Educação Visual e Tecnológica com Fisico-Quimica ou Matemática?

Mesmo dentro da mesma disciplina, há inexplicáveis diferenças entre professores ao nível do rigor e da exigência. Uns menos exigentes aprovam mais facilmente que outros mais exigentes. Poderá questionar-se a razão de cada um deles.

Alguém de bom senso quer comparar a exigência posta nas decisões de alunos das ofertas das Novas Oportunidades, Cursos Profissionais com os Cursos Gerais?

Aprovar alunos em ano de transição tem o mesmo peso de aprovar em ano de conclusão?

Deve haver diferenças nas exigências? Tudo leva a crer que sim, mas deverão os professores ter classificação diferenciada por esse motivo?

Acresce a esta argumentação, o facto legal de ser o Conselho de Turma o responsável pela aprovação de classificações que ditam os resultados finais. Não se pretende alijar responsabilidades, mas as leis ainda têm algum valor ou não será assim?

 

 

 


Há professores e professores, há disciplinas e disciplinas

Abril 24, 2008

(Politicamente incorrecto…Para a confusão…Não há brancos e negros, só brancos mais claros e brancos mais escuros)

 

A situação que se descreve é uma abstracção: Estas figuras não existem na realidade e qualquer similitude é apenas coincidências.

 

Comparemos o dia-a-dia de dois professores A e B, eventualmente pagos pelo mesmo índice de vencimentos, com a mesma redução de componente lectiva.

Sem perda de generalidade, imaginemos que as disciplinas leccionadas por A não tem exame nacional, quase nada acontece para lá da aula e para B uma disciplina de exame nacional, pressionada pelo seu valor no acesso ao ensino superior. Podem usar-se várias disciplinas para cada um dos casos e manter as características dos docentes.

Admita-se ainda que o professor B, além das aulas nas turmas que prepara para exame nacionais, é titular e coordenador de departamento e o professor A, apenas dá as suas aulas, bem, muito bem mesmo.

Em termos da ocupação das horas conhecidas como horas de estabelecimento, o que se espera que cada um faça?

Quem trabalhou mais para a escola – pense-se em horas de reuniões, em responsabilidades, em apoio efectivo aos alunos, em pressão sobre o seu trabalho, a quantidade de materiais a construir, trabalhos para corrigir, etc.

A quantos parâmetros de avaliação está sujeito o professor A? E o professor B?

São comparáveis os riscos de avaliação, no modelo proposto?

Este modelo de avaliação é justo para os professores mais empenhados sobrecarregados com tarefas e funções de responsabilidade acrescida?

(Não era este modelo de avaliação que pretendia discriminar positivamente os mais responsabilizados?)