As diferenças entre classificações internas e externas são um bom discriminador?
É muito frágil este separador e por vários motivos.
O primeiro é não ser aplicável a todos os professores. Há disciplinas que nunca apresentam alunos a provas externas o que abrange um vasto número de professores. Dentro do mesmo grupo disciplinar, no mesmo ciclo de avaliação há professores que não são avaliáveis dentro deste parâmetro, Como os ciclos são de dois anos, os professores de disciplinas trienais, em cada três ciclos não são avaliados por uma ou dias vezes. Há ainda aquelas disciplinas de grupo que não têm exame ou aqueles anos de escolaridade em que há professores que leccionam sempre e outros que nunca leccionam o ano terminal.
Se a esta não universalidade, acrescentarmos o convicção de que o professor que prepara turmas em ano de exame são mais empenhados , corremos o risco de penalizar que mais trabalha para o sucesso efectivo.
Fazer depender a avaliação dos resultados dos alunos não é caminho para uma auto-regulação virtual de desempenho? Qual é o problema de aprovar um aluno que deveria ficar retido? Reter é auto-punir, aprovar é manipular.
Imaginemos um cenário como aquele que já vimos descritos de o professor prometer aos seus avaliadores que vai ter 98% de aprovação. Se este professor não tiver que levar os seus alunos a provas externas, à sua actividade docente pode acrescentar uma viola, cantarolando a caminho de uma classificação excelente naquele parâmetro.
Mesmo no caso de não haver discrepância, como se pode garantir que o sucesso é atribuível à acção do professor, mas do explicador, do ambiente familiar, do grupo de amigos, do próprio aluno. Já encontrei alunos que , acho eu, seriam bons quer tivessem o melhor quer tivessem o pior professor da escola
Não é credível um parâmetro deste tipo na avaliação.
Outra coisa bem diferente é o compromisso, o empenhamento e a preocupação do professor em ajudar a sua Escola a alcançar objectivos sustentados no sucesso escolar e de cidadania dos seus alunos. Este não sendo problema de nenhum professor em particular é problema de todos, sem excepção particular.
Taxa de abandono escolar
A par da ausência de uma definição de abandono escolar como é possível numa escola de largas dezenas porventura algumas centenas de professores serem pedidas contas individuais a cada professor?
Ninguém duvida que o abandono escolar não é um problema que diga respeito em exclusividade à escola. Qual o valor depositado na escola por vastas famílias portuguesas? Há legitimidade ou não para muitos pais não descortinarem valores na escola para além do desemprego qualificado ou do emprego sub-alimentado? Merece a escola aquela confiança que os nossos governantes apregoam como sendo o camonhop para o sucesso? É legítimo ou não que haja famílias a não embarcar em direcção ao mar da felicidade das Novas Oportunidades?
Em Portugal, a sociedade não consegue fazer acreditar que a Escola é o caminho mais válido e sustentado para uma vida melhor.
Que a Escola não se pode demitir da responsabilidade de fazer passar esta mensagem e de a tornar viva ninguém tem dúvidas, mas responsabilizar cada professor, em contabilidade individual, pelo abandono é fazer depender de cada português a culpa do deficit excessivo. Que culpa tenho eu, individualmente, do estrambalho das contas públicas? Claro que participo, à força, na recuperação das contas públicas, mas Teixeira dos Santos não se lembrou de me vir pedir contas da minha contribuição para a redução do deficit.
Conclusão
Há objectivos importantes de expressão colectiva que não têm sentido na responsabilidade individual, embora se tornem exequíveis por accção de todos os intervenientes.
Objectivos de escola sim, objectivos individuais não.
Empenhamento e comprometimento de todos, sim. Premiar os destaques individuais nestas batalhas, sim.
Combater o laxismo, o desleixo, o-não-importa, a demissão, sim.