Vamos até ao ensino básico obrigatório…
A ministra de educação reclama que há muitos chumbos em Portugal.
Os fazedores de opinião dizem que os alunos portugueses são uns ignorantes, impreparados de nível terceiro-mundista e que envergonham o país no campeonato PISA, entre outros impropérios.
Alguma imprensa e alguma opinião pública acusam os professores de não ensinarem nada às crianças, que são uns privilegiados com ordenados chorudos, que têm 3 meses de férias, que são professores porque não sabem fazer mais nada, que a maioria dos profissionais não o é por vocação.
Os importadores e admiradores de sistemas educativos estrangeiros gastam a Finlândia com elogios, talvez merecidos, e gastam o Chile com remoques, talvez injustos. O nosso sistema é que o pai de todos os males.
Outra parte da opinião pública não diz nada ou quase nada, porque os professores ainda vão dando muito jeito. Para dizer bem, é melhor estar calado.
Os professores dizem que têm de ser tudo, desde pai e mãe, padre, psicólogo, confessor, polícia, juiz, advogado, actor, ama-seca, baby-sitter, paramédico,… e professor.
Afinal, esta parece ser a estória tipo o velho, a criança e o burro.
Deixo interrogações:
Quais os problemas resultantes de se decretar que na escolaridade obrigatória não haja chumbo? O que é que o País ganha com as reprovações? Não seríamos os únicos na OCDE.
O Governo gostaria de apagar das estatísticas a reprovação da escolaridade obrigatória, mas quer que sejam os professores os portadores do anátema do facilitismo.
Não há a coragem de assumir a decisão da não retenção. Ficará ao critério do professor passar ou reprovar, Se reprova, reprova muito. Se passa, é acusado de laxismo.
Preso por ter cão, preso por não ter.
Publicado por a52abrantes