Educação e Crise Financeira

Segundo alguns analistas, a crise financeira é, em grande parte, devida à avaliação de curto prazo que exige resultados trimestrais a todos os agentes do capital. O pressing para obter resultados dá origem à colocação no mercado de produtos financeiros de valor nulo ou de valor virtual, que encantam por apregoadas vantagens potenciais de lucro.

Não interessando o contravalor do produto ou a riqueza a ele associada, com a a avaliação e supervisão baseadas em números, em vez do substrato económico, o mundo viu-se empurrado para uma crise da qual ninguém conhece a verdadeira dimensão.

Os bancos centrais no seu supremo poder de parir dinheiro estão a tapar o sol com a peneira, a dar tempo ao tempo e a vida continua, até à próxima derrocada que também ninguém saberá dizer se explodirá ou implodirá daqui a um dia ou daqui a um ano ou daqui a uma década. Todos estarão de acordo que a crise mais dia menos ano fará mossa na vida global.

A educação em Portugal, qual imagem da sociedade que a organiza, está seguindo o mesmo paradigma. Ela assenta em números, em estatísticas, numa demagogia, numa desonestidade intelectual cruel com a qual nenhuma pessoa de educação real poderá pactuar. Estamos a criar números de sucesso em detrimento do real saber. Estamos no nível mais baixo do conhecimento de que há memória. Alunos de excelentes classificações de hoje não passariam de alunos medíocres quando comparados com alunos médios de décadas anteriores.

A diferença entre a crise o sistema financeiro é que não existem bancos centrais para injectar conhecimento na sociedade.

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