Outubro 23, 2008
- A exuberante discordância que os professores têm vindo a revelar desde a publicação do DR 2/2008, relativo à avaliação de desempenho docente;
- Os evidentes desencontros entre as posições do Ministério da Educação e do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, em matérias como o abandono escolar, os progressos dos alunos e condições em que deve decorrer a avaliação;
- A coexistência de quotas com a avaliação entre pares, em que avaliadores e avaliados disputam o mesmo prémio, deixa antever um ambiente incontornável de suspeição. Não bastará ao sistema ser sério, tem que parecê-lo.
- A muito discutível forma como se constituíram os avaliadores, não respeitando critérios de qualidade e formação como princípios básicos, decorrente de um concurso e de uma divisão de professores em duas categorias, onde não se descortina outra razão profunda que não seja o embaratecimento do serviço prestado, coarctando inopinadamente as legítimas aspirações de um grande número de profissionais, muitos deles do melhor que o sistema comporta.
- A decorrente decadência da principal função da escola de promover aprendizagens, provocada pela absorção das energias dos professores para domínios secundários como a burocracia documental e actividades, no intuito de embelezar parâmetros de avaliação;
- A despótica responsabilização dos docentes por objectivos que de si não dependem em exclusivo, como o abandono e os resultados escolares;
- As anunciadas alterações aos concursos de colocações de professores, introduzindo os efeitos de atribuição de classificações de Excelente e Muito Bom, de uma forma tão aleatória como são os resultados que se antevêem desta avaliação, quando se comparam escolas com esquemas tão diversificados, que o copiar-colar não conseguem disfarçar.
- O processo não vai garantir princípios de equidade e de justiça, perpetuando os seus efeitos em resultados de concursos que permanecerão até ao final das carreiras dos professores. Esta situação é agravada pelo modo como são consideradas na avaliação faltas por motivos constitucionalmente garantidos;
- A anunciada alteração da gestão das escolas não garante um processo de continuidade de avaliadores, nem ao nível do PCE/Director nem ao nível de coordenadores;
- A real possibilidade de esta avaliação criar um mundo de ilusão e de hipocrisia estatística em que o que realmente vai importar são os números e não a qualidade, número de acções, número de actividades, número de sucesso, número de reuniões, número de alunos que não abandonam, número de alunos que transitam, número de alunos que são apoiados, número de…, etc, números facilmente manipuláveis, criando uma competição folclórica, em detrimento claro da actividade, em aula, com os alunos, a razão de ser da escola e do professor.
- A previsível má relação custo-benefício entre as horas que os avaliadores deverão gastar em tarefas de avaliação, entrevistas, aulas, preenchimento de grelhas, etc. e a ausência a aulas das suas turma em que terão de ser substituídos.
- Os sucessivos malabarismos legislativos, como adiamentos, pesos e ponderações, inconstitucionalidade do concurso de titular, delegação de competências, e outros que estarão para vir, denunciam um processo não reflectido, distante da realidade das escolas e de difícil remediação.
Face a estes contextos, o caminho apenas pode ser o da suspensão deste processo de avaliação.
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Publicado por a52abrantes
Outubro 20, 2008
Caso este modelo de avaliação não vá pelo esgoto abaixo, as recomendações do CCAP podem trazer alguma saída para as escolas. Sem pretender glorificar p CCAP e a sua profícua ineficácia (?), considero que este órgão teve posições interessantes acerca do modo de as escolas encararem este processo. Nomeadamente, ao considerar que em 2008/2009 os progressos dos alunos não deveriam ser traduzidos am aferição quantitativa e deixando a entender que mesmo nos próximos anos a sua consideração deverá ser suportado por comparações credíveis que parece não existirem nem tão cedo virão a existir.
Parece-me que muitas escolas deram mais ouvidos a um órgão que na matéria é zero (Conselho de Escolas) e desligaram de um órgão criado (mal nascido, é um facto) que tinha como função criar um conjunto de recomendações (CCAP). Este produziu pouco, mas as escolas, em grande medida, não deram muita importância a esse pouco produzido. A DGRHE e o CE tiveram uma força que o CCAP nunca teve, muito, acho eu, por culpa dos PCE´s e dos CP´s.
A dissolução do CCAP nada resolve.
Não nos iludamos, as energias têm que ser dirigidas para o ECD, para este modelo burocrático de avaliação e as condições de trabalho nas escolas. Não é o CCAP nem são os sindicatos ou os movimentos independentes que constituem os meus alvos. A arrogância e a prepotência do poder representado por esta equipa ministerial devem merecer a atenção de todos . A dissolução desta equipa ministerial constitui um passo decisivo para que a paz volte às escolas. Com estes, só por obrigação…
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Publicado por a52abrantes
Outubro 14, 2008
- Este modelo de avaliação afoga o trabalho mais importante das escolas: aulas bem preparadas para que os alunos cresçam.
- Este modelo trucida-me responsabilizando-me pelo abandono escolar e pelo insucesso, factores que não me podem ser imputados de modo unívoco e a apostando em capatazes da avaliação porventura afastados do meu trabalho;
- O ambiente criado por este modelo entre professores é destrutivo das relações necessárias ao bom desempenho.
- A divisão economicista da carreira de professores, divisão sem qualquer critério de competência ou mérito reais;
- O meu protesto pelas condições de aposentação. No dia anterior à publicação da lei que altera a aposentação faltavam-me três anos para a reforma. Passaram a faltar-me 10.
- A falta de apoio efectivo à autoridade do professor. Não é enxovalhando o professor que se reforça a sua autoridade, ainda que me passem a mão pelo pêlo, atribuindo-me parte dos louros do sucesso do governo.
- Contra o sucesso escolar da estatística, a favor da educação e saber reais. O facilitismo é um balde de trampa em cima do meu trabalho e de muitos dos meus alunos;
- A prepotência desta equipa governamental e a sua desonestidade intelectual
- Dizer aos sindicatos que professores não são dirigentes sindicais. Os professores sabem o que se passa nas escolas. A maior parte dos sindicalistas não. Se soubessem, não aceitariam a pesporrência do ME.
- Quero gritar: deixem-me respirar.
Provavelmente arranjarei mais, muitas dezenas de razões.
O que ganharei se ficar em casa no dia 15 de Novembro? Nada.
O que ganhei em 8 de Março? Muito. Posso acreditar que se em Março fomos 100 mil, em Novembro seremos, pelo menos, 110 mil, contando com os colegas que foram empurrados borda fora através da aposentação penalizada.
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Publicado por a52abrantes
Outubro 14, 2008
A minha escola irradia felicidade e não deve pertencer àquele país que muitos blogues e outra imprensa apregoam como o tal onde os professores não têm tempo para preparar as aulas por terem imensas outras coisas que os ocupem. Devo estar uma escola do País das Maravilhas onde Alice era alegre e feliz. Feliz e alegre não pode ser o país de Maria de Lurdes Rodrigues.
Um início atipicamente feliz, sem Conselho Pedagógico inicial e uma reunião tardia, com uma reunião geral de professores onde nada se disse, com aquele trabalho comum, em regime de autogestão, de planificar, de definir critérios de avaliação, em que, para alguns, há umas reuniões que parecem prolongar-se muito para além daquilo que seria sindicável, porventura sem convocatória, porventura proporcionando um horário semanal para além das 50 horas, porventura engordando um bicho que acabará por morrer empanturrado. Um início despreocupado, como convém em ano de visita agendada pela senhora inspecção.
Cheguei ao monstro da avaliação que se está a engordar com comida servida às claras em reuniões e em surdina, naquele ar de conspiração e de cochicho. O monstro cresce, cresce, apesar de alguns sinais de que o seu crescimento está cravado de algumas maleitas que o podem levar à morte, por muito que o criador ou criadores o queiram ver em desfile para imprensa ver.
Baixinho se vai dizendo que o bicho não tem as vacinas em dia nem o seu pedigree teve publicação correcto no diário da nação. Com tantos erros de direito… Os tratadores não estavam devidamente credenciados para o efeito, por a qualidade de reprodução não ser certificada no diário da nação. Aqui há bicho… Pode mesmo a ASAE vir a retirá-lo do mercado pela ausência de credenciais?
Valha a verdade, neste ano vale tudo, menos conseguir trabalhar tranquilamente com os alunos. Vou esquecendo as razões da minha entrada na escola como professor. Alunos? Há pois, também os há!
Às tantas, ainda bem que a minha escola é assim, tão …
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Publicado por a52abrantes
Outubro 14, 2008
Segundo alguns analistas, a crise financeira é, em grande parte, devida à avaliação de curto prazo que exige resultados trimestrais a todos os agentes do capital. O pressing para obter resultados dá origem à colocação no mercado de produtos financeiros de valor nulo ou de valor virtual, que encantam por apregoadas vantagens potenciais de lucro.
Não interessando o contravalor do produto ou a riqueza a ele associada, com a a avaliação e supervisão baseadas em números, em vez do substrato económico, o mundo viu-se empurrado para uma crise da qual ninguém conhece a verdadeira dimensão.
Os bancos centrais no seu supremo poder de parir dinheiro estão a tapar o sol com a peneira, a dar tempo ao tempo e a vida continua, até à próxima derrocada que também ninguém saberá dizer se explodirá ou implodirá daqui a um dia ou daqui a um ano ou daqui a uma década. Todos estarão de acordo que a crise mais dia menos ano fará mossa na vida global.
A educação em Portugal, qual imagem da sociedade que a organiza, está seguindo o mesmo paradigma. Ela assenta em números, em estatísticas, numa demagogia, numa desonestidade intelectual cruel com a qual nenhuma pessoa de educação real poderá pactuar. Estamos a criar números de sucesso em detrimento do real saber. Estamos no nível mais baixo do conhecimento de que há memória. Alunos de excelentes classificações de hoje não passariam de alunos medíocres quando comparados com alunos médios de décadas anteriores.
A diferença entre a crise o sistema financeiro é que não existem bancos centrais para injectar conhecimento na sociedade.
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Publicado por a52abrantes