O DR 2/2008 prevê que todos os professores devem ter pelo menos 3 aulas assistidas, cada uma delas em unidade didáctica diferente,
O quintal de cada um de nós prepara-se para ser invadido, criando uma situação novíssima e de ruptura. Em termos de procedimento, a assistência a aulas constitui uma das maiores rupturas com o passado
Muitos professores, incluindo-me a mim próprio, durante largos anos, fizeram sentir que a avaliação de professores era uma obra inacabada, incompleta, imperfeita, eventualmente inverdadeira.,ao não passar pela observação de aula, ainda que de forma pontual, A lei , embora não o impedisse, também não entreabria a porta da sala de aula.
O grande objectivo de assistir a aulas, em minha opinião, não é a recolha de dados para julgar o observado. O enfoque da observação deve situar-se na reflexão partilhada acerca de práticas em ambiente de aula, conducentes ao desenvolvimento profissional do professor e, por efeito, conducentes à melhoria das aprendizagens.
Face a esta premissa e tendo em conta que o coordenador observador é um par do observado, pode não ter sentido repetir observações sobre alguns professores. Qual o sentido de, apesar do coordenador reconhecer que um colega observado é muito melhor que ele, prosseguir com as observações? Só para dar cumprimento à lei? Aplicar a todos a mesma medida de observação pode não ser uma boa medida para rentabilizar tempo e para o direccionamento essencial da acção da observação.
Podem ocorrer situações em que um professor necessite de maior ajuda e acompanhamento que outro e, por isso, deva ter mais aulas assistidas. Refira-se que a legislação ao apontar chapa 3 para cada professor e repartindo uma por cada unidade didáctica, subverte as características fundamentais da observação de aulas para a avaliação de professores. Parece querer marcar três dias de juízo em vez de marcar oportunidades de reflexão sobre a prática docente. Parece óbvio que ao querer conhecer-se um professor fosse mais propositado observá-lo num processo continuado do que 3 momentos sincopados, descontextualizados.
Estes cortes são contra aquilo que os professores aprendem e praticam na avaliação dos seus alunos. Qual a razão de a avaliação destes não se reduzir a três testes? Podem não dar uma imagem da progressão e podem não ser oportunidades suficientes para revelar todas as dimensões do seu crescimento. Por isso, a diversidade de instrumentos e de fontes integradas em avaliação contínua.
O facto de constar na lei e de estabelecer uma forma igualitária, não significa, para mim, que esta disposição seja a melhor forma de rentabilizar esta novidade prática, face aos objectivos últimos da avaliação docente.
Por tudo isto, entendo que, durante o ano de 2009, haverá assistência a aulas para todos os professores, não necessariamente em igual número para todos, com o propósito firme de uma avaliação formativa.
Durante este período, o processo analítico das práticas conduzirá à definição dos grandes vectores de observação, Um deles será certamente o rigor científico-pedagógico do processo de ensino e da instrução. Tendo como coordenador o Grande Avaliador, este vector pode ser absolutamente descurado, por haver a possibilidade real de o observador nada ou muito conhecer do conteúdo científico em observação.
Em termos de procedimentos e papelada, não preconizo o envólucro, tipo estágio, da apresentação da documentação. A simplicidade de processos e de documentação entre gente crescida e profissional, deve estar presente neste relacionamento formativo.
Publicado por a52abrantes
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