Avaliação, manobra de diversão

Mas será que alguém tem dúvidas que a questão da avaliação para o ME é um distraídor, um fait-divers, um embuste?

Na perspectiva do governo, aquela que é engendrada pelas sinistras, pardas e sibilinas figuras, como o Secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, e pela inteligência do ISCTE, o grande objectivo foi alcançado.

A redução da factura do Estado.

Para a Educação, mesmo que a avaliação seja metida no caixote do lixo, 90% do objectivo está atingido.

Quantos não titulares que não estejam no 10º escalão, têm a real possibilidade de chegar àquele índice salarial? Essa posição que estava no seu horizonte, há menos de dois anos atrás? Vejam a quantidade de massa que se vai poupar nesta medida considerada constitucional, mas imprópria de um governo socialista. Ainda que o professor se desfaça na sua entrega ao trabalho e o consiga realizar como uma inquestionável qualidade, jamais chegará à recompensa que há bem pouco tempo estava ao seu alcance. Tiraram-lhe, malvadamente, o tapete.

Outra forma de poupar é convidar os professores seniores a irem embora com uma aposentação voluntária. A aposentação normal que também há bem pouco tempo estava mesmo ali, foi alargada para mais de uma dúzia de anos para muita gente. Há que fazer a vida negra a todos os professores, melindrar todos, para que aqueles que gastaram o melhor das suas vidas na causa da educação se fartem, se sintam uns professorzecos e vilipendiados da sua dignidade. É uma saída pela porta pequena e pela porta do castigo. Aqui a factura do ME vai sofrer uma redução substancial.

O esquema é claro. Por cada 5 professores seniores que saiam, apenas necessitam de 3 jovens e, em vez de se gastarem 15 000 euros ilíquidos mensais, serão gastos menos de 5000 euros.

A avaliação será sempre um faz de conta para povo ver.

Na oferta educativa que as escolas estão a oferecer, no mar das Novas Oportunidades, Cursos Profissionais, CEF’s, EfA’s, toda essa panóplia, em detrimento, por exemplo, de cursos tecnológicos e cientifico-humanísticos com um fim claro. Reduzir a factura, pois as fontes de financiamento não serão maioritariamente do Orçamento do Estado.

Não tarda, veremos o garbo, a ufanidade desta equipa e do ministro Teixeira de Sócrates, congratulando-se com as contas da Educação.

Temos que concordar que é um plano bem urdido, mas de uma sacanice imprópria de um governo socialista.

A procissão não vai ficar por aqui. A gestão das escolas procurará aproximar a gestão da administração dos parâmetros das escolas privadas, para mais tarde possibilitar a privatização do ensino.

Se a saúde é, actualmente, o grande negócio dos privados, chegará a altura de o campo fértil ser o ensino. O sector está a ser reorganizado para ser entregue à iniciativa privada.

Quanto à melhoria do conhecimento e do saber…Mas quem disse que isso era importante? As estatísticas é que vão contar, mais alunos, menos escolas, menos professores, mais escola, mais tempo nas escolas para as crianças, mais horas de trabalho para professores, mais isto, mais aquilo.

A Avaliação de Professores é, sem dúvida, uma manobra de diversão. Bom, Muito Bom ou Excelente para quê? Bom desempenho, mas o caminho não se abre, pelo menos com a abertura que legitimamente era esperada pelas famílias dos professores. Eles têm família, para além dos seus alunos.

2 Respostas para “Avaliação, manobra de diversão”

  1. josé António Diz:

    Subescrevo plenamente o teu post.É incrível como uma cena bem montada pelos órgãos de comunicação social e pelos partidos do regime levam as pessoas, algumas com capacidades críticas, a não se darem conta que estão a cair no conto do vigário. Afinal, onde está o recuo em toda a linha? A única novidade está no facto de os sindicatos constituirem uma comissão paritária. Paritária ou liquidatária? A diferença é que o 2/2008 entra devagarinho, e lá para julho de 2009 já não haverá contestação.
    Será que os sindicatos, em especial a Frenprof, ainda tem esperança na gestão democrática? ainda tem esperança naqueles que nos esfaquearam pelas costas? naqueles que bateram palmas à Milú, nas famigeradas reuniões com a Sinistra?
    Na verdade, ao contrário daquilo que se diz por aí, são poucos os PCE`s que se colocaram ao lado dos professores que os elegeram.
    Afinal, quem é que convoca os professores para o dia D? os sindicatos ou o ministério? discutir a escola pública não é o mesmo que discutir o concurso para professores titulares, o estatuto da carreira docente ou o famigerado 2/2008. Discutir a escola pública em cada escola é transformar as escolas numa epécie de “prós e contras” do tipo Fàtima Campos Ferreira. Discutir, sim, mas discutir formas de luta. Ora, até parece que o tal acordo já estava acordado há muito mais tempo. O que se passa é que os partidos e os sindicatos que são representantes dos partidos na classe docente perfilham-se conjuntamente com o governo para as eleiçoes de 2009.
    Gostaria que não fosse verdade, mas estou certo que dos 100.000 professores 90.000 irão votar no PS nas próximas eleiçoes, com ajuda de Manuel Alegre e de Mário Nogueira, Sócrates terá de novo a maioria. Entretanto, o discurso privatizador das escolas públicas do Dr. Menezes dará também uma preciosa ajuda ao falso Engenheiro.
    Enfim, a esquerda unida, numca será vencida!

  2. setora Diz:

    Tem razão.
    O objetivo de tudo isto é apenas reduzir custos.
    Querem lá saber de instrução/educação.
    Desempregados quanto mais analfabetos e ignorantes melhor, menos incomodarão estes governos de gestão da crise.

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