O caso do vídeo da Escola Secundária Carolina Michaëlis é um mal que vem por bem. A sua inopinada divulgação provavelmente por um dos mânfios da turma está a prestar um excelente serviço à educação e ao país.
À colega, toda a solidariedade. Ela encarna aqueles que foram violados por miúdos badamecos, que se acham donos do mundo e com os direitos à delinquência sem fronteiras.
À aluna, aquela de ganga azul, coitada, aquela, que eu não conheço se Isabel ou Mafalda, talvez Joana, provavelmente nunca mais vai esquecer este episódio e quero crer que ela está arrependidíssima, Deve ser punida, imperdoável a sua atitude, mas a ela também o meu obrigado. Ela incarna uma certa camada da população escolar que não controla os seus apetites delinquentes. Mas eles existem, só na cabeça de alguns é que não. Não na cabeça de alguns pais que produziram umas jóias imensas, mesmo professores geraram crianças como a de calças de ganga azul, na cabeça de alguns pedagogos que acreditam que com restrições não explicados o mundo das crianças está a ser violado, na cabeça de muita gente estas crianças são como os gambozinos, não existem. Os professores sabem que eles existem.
Ao miúdo que se sentiu um Kubrik por trás do telemóvel, o Fred ou Dred ou Jorge, sei lá, foste um safardana. A tua pena deve ser igual à de calças de ganga azul, agravada pelos incentivos à javardice dos teus cúmplices. Não mereces perdão. De qualquer modo, obrigado pelo teu impensado acto de dispôr no querido e venenoso You Tube a tua prima obra. Conseguiste pôr à bulha todo este país em volta de uma causa que teimava não entrar na agenda da educação em Portugal. Tens sorte em os americanos terem-te batido na corrida, senão terias a CNN a disputar os direitos de publicação.
Aos portugueses, professores, aproveitemos, desfrutemos os factos.