Redução da componente lectiva e Titulares

Março 29, 2008

Especulação: O ME decidiu criar a categoria de titulares para ocupar a grande quantidade de horas de redução da componente lectiva, encaixando aí todos os cargos cujo desempenho se traduziam em mais reduções de componente lectiva.

Com efeito, era comum que um professor que já tinha redução de componente lectiva por idade e tempo de serviço, acumulasse nova redução, caso fosse eleito para certos cargos como coordenador de departamento ou delegado de grupo ou se lhe fosse atribuído algum cargo como director de instalações, coordenador de clube disto e daquilo.

Lembramo-nos que, no despacho de lançamento do ano lectivo2006/2007, esta equipa ministerial, não podendo obrigar que os coordenadores de departamento fosse um profissionalizado com redução do artº 79 do ECD, sugeria que preferencialmente fosse alguém com a redução da componente lectiva de modo que o desempenho não se traduzisse por nova redução.

Teoricamente era possível haver professores que, não dando aulas ou tivesse apenas uma turma, tinha direito a receber horas extraordinárias.

A criação da figura de professor de titular e promovendo os professores mais velhos (de escalões de vencimento mais elevados) que tenham desempenhado cargos nos últimos sete anos, vem colmatar aquele preenchimento de horas com elevadas poupanças na folha de pagamentos.

Não se pode levar a mal que a administração escolar queira aproveitar essa grande quantidade de horas para aquelas tarefas. Curiosamente o artigo 35º do novo ECD não refere as funções de avaliação no quadro funcional do professor titular. Sobre esta matéria, apenas se comete a avaliação ao professor titular que venha a ser coordenador de departamento. Até à data do concurso para titular, pensava-se que este departamento seria o consagrado no RI de cada escola, não se pensava nos mega departamentos de recrutamento.

Voltemos a muitos anos atrás, quando se criou a redução da componente lectiva por idade e aos seus efeitos. Claramente sempre foram um alívio de trabalho para quem usufruiu dessa redução. Durante bastantes anos, quase ninguém aparecia na escola, quando não se aproveitava para outros empregos ou acumulações.

Foi uma guerra azeda aquela que se travou com os CE’s quando estes, cumprindo determinações superiores, começaram a criar mecanismos de controlo daqueles tempos, como assinar livros de pontos ou coisa parecida.

Eu fui um dos beneficiários dessa redução de componente lectiva e sem que essa redução se traduzisse em melhorias para a escola.

Outras mordomias se foram criando, como as rápidas progressões nas carreiras por se fazer um mestrado ou um doutoramento. Poucos caso conheço em que a obtenção dessas graduações se traduziu em melhorias signifiativas para a Escola que deu algumas facilidades e, não poucas vezes, essa obtenção se traduziu mesmo em prejuízo para os alunos pelas faltas dadas pelo professor em formação.

Voltemos à questão da redução da componente lectiva que se encontra consagrada em ECD, embora tenha sido agora revista como menos benéfica para o professor. Há muitos anos que me tenho manifestado contra a forma como a redução da componente lectiva se processa e com o avançar da idade e no tempo de serviço mais se acentuam as razões para discorda. Quando olho para trás e comparo o tempo necessário para preparar a minha semana de trabalho agora ou quanto no início da carreira, claramente me parece desproporcionada a redução.

No início de carreira é que agradecia menos horas lectivas, menos turmas porque eu tinha muito que preparar. À medida que se avança na carreira, controlamo-nos melhor, as conexões estabelecem-se com maior facilidade e clareza, a capacidade de reformular uma planificação no momento é claramente mais fluida e eficaz agora.

Claro que em final de carreira, as forças não são as mesmas, o stress existe, a paciência não é a mesma e justifica-se um menor número de aulas. Por isso, parece que uma distribuição em sino, menos horas lectivas no início e no fim de carreira e mais horas no tempo áureo da pujança pedagógica.

Esta visão é contra-corrente e poderia ter implicações nas funções que se pretendem impor ao grupo de professores conhecidos por titulares que ainda hoje estou por perceber as razões que nos levaram a concorrer àquele absurdo concurso.

Esta podia ser uma contrapartida a oferecer ao ME nas negociações para rever o ECD e destruir a divisão da carreira. O sistema assumiria todos aqueles conteúdos funcionais.

Para este peditório eu dou, tenho a redução máxima, preferia dar mais uma turma ou duas e libertar um colega em início de carreira de semelhante carga, deixar de ser titular e assumir o papel em eventual apoio na coordenação caso fosse reconhecido competente para o efeito.

Na vez de titulares, velhos e cheios de cargos, preferiria ver um grupo de professores, novos ou velhos, com pós-graduações ou sem-graduações, a que se reconheça a competência para dinamizar o processo de auto-avaliação da escola que integre a avaliação dos porfessores e se submeta a avaliação externa para alimentar a avaliação interna.


Dever Cívico da Militância contra as más leis

Março 29, 2008

Grande fase de discussão sobre a ecologia da educação.

Há condições novas e boas para dar uma sapatada na modorra das nossas vidas.

Dois pontos essenciais: a avaliação de porfessores e a autoridade nas escolas.

Começando por esta, o PGR, expoente máximo do poder judicial, vem dizer que ao professor é devido todo o respeito, sendo crime público as ofensas sobre ele. no exercício ou em decorrência desse exercício. Cabe às escolas exercerem a sua autonomia e a sua determinação para o exercício da autoridade. Lugar comum dizer-se que autoridade e autoritarismo não são sinónimos.

A avaliação de professores é a outra face. A centena de milhares de professores que esteve em Lisboa, se eu não estivesse teria sido apenas 99,999, clamou bem alto avaliação sim, mas esta não. Eu estive lá para protestar quanto à forma de pôr no terreno a avaliação e protestar quanto ao quadro normativo que está a montante do DR 2/2008.

Acredito que a avaliação da escola e a autoridade são pilares para o desenvolvimeto da escola, como o lugar do crescimento global e do conhecimento, do saber, do saber (duas vezes, pelo menos). Precisamos dessa escola para não deixar a escola pública morrer definhante.

A avaliação dos professores integra-se na avaliação da escola. Só assim tem sentido.

A divisão dos professores em duas categorias é, para mim, o factor mais pertubador do processo avaliativo e quemais danos irá causar às escolas portuguesas.

Defendo que outro tipo de intervenientes têm que surgir nas escolas. Professores que assumam as funções para que foram criados os titulares e para dinamizarem a auto-avaliação. Este novo tipo de professores não pode ser parido da forma que foi o titular. Não somos todos iguais. Há com toda a certeza pessoas no ensino, alguns novos, alguns velhos, alguns com o saber da experiência, outros com o saber do estudo, da investigação mesclados com experiência que poderão e deverão ser chamados a essas funções.

Acho que o problema que levou à criação dos titulares foi o desejo, digamos que com alguma propriedade, que a administração tinha para preencher a enormidade de horas de redução da componente lectiva que os professores mais velhos tinham. Com franqueza, acho que imensas horas eram desperdiçadas em alguns professores, enquanto que para outros as horas nunca chegavam para o trabalho a desenvolcer, Teoricamente era possível não dar aulas e receber horas extraordinárias.

Pessoalmente, há muitos anos que discordo da forma como a componente lectiva é reduzida, Tenho muitosa anos de serviço e redução máxima. Preparar as funções lectivas neste momento é extremamente mais fácil que no início da carreira. Os colegas mais novos precisam sem sombra de dúvida de mais tempo para prepararem as suas aulas, os seus afazeres e compromissos com a Escola. Na forma de reduzir a componente lectiva, justifica-se que o profissional mais novo possa usufruir de menos horas, de menos turmas, O profissional com mais experiência não necessita de tanto tempo.

Talvez uma distribuição de redução em forma de sino fosse mais razoável. Maiores reduções em início e final de carreira e menor lá na pujança do exercício. Posso prescindir desse direito como contrapartida para um trabalho digno nas escolas, de maior partilha e de trabalho colaborativo e de maior dignidade.

Ora, concatenando estas reflexões, assumo o dever cívico de me rebeliar contra este estatuto, contra a forma disparatda como se criaram os titulares. Sim a um novo corpo de profissionais nas escolas que se reja por ciritérios de competência e reconhecimento.

Sou titular porque sou velho. Não sou titular por ser competente.

Contra o ECD, contra a titularização!

A favor da avaliação, mas com gente a que se reconheça capacidades e competência!

 


SIC e a violência

Março 27, 2008

Hoje a SIC vai promover um debate acerca da violência em meio escolar.

Vai chegar-se à conclusão habitual. Os portugueses são bons a fazer diagnósticos e são bons em nada fazer.

Uma das questões centrais é a questão da autoridade do professor. Mais importante que a sua institucinalização em normativos é o reconhecimento pela sociedade do papel do professor e da sua autoridade.

Toda a gente ataca o professor, como quem bate no ceguinho.

Mais alunos do que seria desejável não estão habituados a esta coisa do respeito. Nãohá pai nem mão que resistam, não há superior para ele.

Bastantes pais respeitam o professor conforme as conveniências de uma classificação ou quando dá jeito. Em casa, fartam-se de dizer mal dos professores, deixando a ideia que professor não é para respeitar.

Comunicação Social em geral não respeita o pqpel do professor. Objecto de chacota e de louro atravessa muitas das apresentações dos media.

Professor não respeita professor. Com demasiada frequência se exteriorizam tricas que ajudam a mesquinhar colegas.

Muitos homens de negócios e gestores de mepresas não valorizam a escola. Mais facilmente arranja emprego que mal sabe ler e escrever do que aquele que procuros na escola a sua valorização. A Escola não é claramente um factor de progresso, não é positivamente diferenciada.

Os sucessivos governos têm profusamente alimentado a pequenez profissional dos professores, apesar de aparecer o discuro do politicamente correcto a falar da nobreza da profissão.

Os professores sentem na carne a desautorização massiva de todos os sectores da vida, incluindo o seio da própria classe.

Relativamente ao governo actual, dois sinais contraditórios. Por um lado, talvez o pior governo do pós 25 de Abril (passei por todos) em relação à efectiva pequenização do professor contrariamente ao apregoado da dignificação da carreira. Por outro, este governo talvez seja o melhor porque nenhum outro criou tamanha solidariedade entre professores. O mal que tem vindo a fazer tem como reflexo a maior unidade de que há memória, entre professores

Contudo, a democracia portugiuesa ainda não conseguiu estabelecer o que o regime fascita tinha claro. A entronização fascista do Deus, Pátria e Autoridade, derrubada e bem com a ajuda de muitos de nós, não foi substituída por referentes claros.

É pena que a Democracia não tenha ainda criado os seus critérios. O conceito de liberdade é extremamente livre para ser tomado como uma referência.

Daqui a dois séculos ainda se estará a discutir o que é a liberdade. É um valor inestimável, mas não se pode aceitar como referente por frágil concordância na definição.

A educação precisa urgentemente de readquirir a autoridade que a ela esteve sempre associada. O mestre é por definição uma autoridade, sem ser autoritário.

Discuta-se a educação e a instrução, coisa que o fascismo não permitia, mas há lugares onde o professor não pode ser posto em causa, por muitos erros que possa cometer. É próprio da democracia o contestar, o argumentar e o contra-argumentar, criticar, propor mudanças. A escola democrática aceita que os seus professores são, por definição, pessoas sabedoras, intelectualmente honestas. Com os erros também aprendemos, com os noosso e com os dos outros. A democracia não é um sistema de vida perfeito, é o menos mau, mas tem uma capacidade infinita de regeneração e de correcção que as ditaduras não possuem. Mas democracia sem autoridade nas escolas não vai para muito longe.


Procurador versus Secretário de Estado

Março 25, 2008
PGR pediu mais autoridade para os professores
Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado 
25.03.2008 – 14h21 PÚBLICO

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo “Diário Económico”, ter pedido mais autoridade para os professores.

Comentário meu:

Acho que um dos principais culpados é o sistema do eduquês que veio de fora, talvez de Boston, de onde veio também Valter Lemos. No mesmo avião, talvez…Mas o eduquês não contagiou só as escolas. Também contagiou o “fora”, criando o fora-da-lei. Sim, o de dentro-da-lei, em princípio, não causará problemas. Em casa, os problemas também vêm de “fora”. E no governo? Claro, os problemas também vêm de fora, dos comunistas, dos bloquistas, os pêessedês criaram a sua própria guerra., os cêdêesses também têm uma guerra de “fora” com o turismo e os gajos que vieram de “fora” para o casino.

Aí está…de “fora”…c’um carago. Nunca tinha pensado que o “fora” fosse tão culpado.

Por isso, o PGR quer que dentro das escolas o “fora” seja combatido. Tudo explicadinho.

Qualquer dia, o melhor será que, quem puder, dê o fora.


Carta aberta à Ministra da Educação

Março 25, 2008

Documento impressionante de um colega…

Sem comentários.

Retirado de http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/.

Espero não infringir quaisquer direitos. A minha intenção é apenas ter perto de mim este texto e expressar a minha total concordância com o colega e manifestar-lhe a minha solidadariedade.

“Danos colaterais ou as infelizes injustiças do processo de reforma da educação em Portugal”

Amadora, 4 de Março de 2008

Exm.ª e Digníssima Sr.ª Ministra da Educação

Quero, antes de mais, começar por afirmar que nada de pessoal me move contra a sua pessoa, com a qual já tive a oportunidade de privar cordata e elevadamente enquanto elemento do Conselho Executivo do meu Agrupamento de Escolas, apenas quero expressar frontalmente a minha mágoa e discordância face às políticas que o seu ministério tem vindo, apressada e atabalhoadamente, a implementar que para além da melhoria do sistema educativo (quero acreditar que essa será mesmo uma finalidade!), tem o objectivo claro, mas não afirmado para a opinião pública, de reduzir os custos do ME em recursos humanos educativos.
Como estou quotidianamente no terreno, tenho consciência plena do estado de alma e de espírito de muitos professores que, como eu, estão indignados com as alterações substanciais em termos de expectativas de carreira e de direitos laborais, dignamente conquistados em anteriores legislaturas, que a vil política do seu Ministério nos tem vindo a impor. A adesão maciça de mais de 2/3 dos professores do país à manifestação no passado Sábado (8/3/2008) é disso reflexo e, muito do que aqui vou expor, que é naturalmente pessoal, tem apenas a intenção de se constituir como um exemplo que possa representar muitíssimos outros casos similares que existirão por esse país fora, de professores que, como eu, se sentem injustiçados.
Disse meu Agrupamento de escolas com propriedade, porque a ele dediquei de alma, coração e brio profissional os últimos 16 anos da minha vida, senão vejamos:
Integrei sempre o Conselho Pedagógico (primeiro da escola e depois do Agrupamento de escolas); integrei, desde o início, a Assembleia constituinte, depois a Assembleia de Escola e depois a Assembleia constituinte do Agrupamento de escolas, às quais presidi durante 2 mandatos; integrei, por 3 mandatos, o órgão de gestão da escola/Agrupamento; fui Coordenador dos Directores de turma (Professor coordenador de curso) por 2 mandatos; fui por diversas vezes director de turma; liderei os processos de construção e de actualização do Projecto Educativo de Escola e do Regulamento Interno da escola e depois do Agrupamento de escolas; liderei, sem consultadoria prevista, o processo de construção do projecto do Agrupamento de escolas para a segunda fase dos TEIP, por si protocolado em primeiro lugar; liderei durante 6 anos o Projecto “Viva a Escola”, tendo a nossa escola integrado desde a 1.ª hora a Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde e uma das 10 a integrar a Rede Europeia de Escolas Promotoras de Saúde; desde o 2.º ano de permanência na escola que dinamizo grupos-equipa de futsal, sempre com comportamentos e resultados muito dignos; para além disto fui sempre professor de Geografia e das novas áreas curriculares não disciplinares de Formação Cívica e Área Projecto.
Ao longo de todo este percurso orgulho-me de nunca ter feito nenhuma participação disciplinar de um aluno e os dedos de uma mão são demasiados para contar o número de vezes que apliquei ordens de saída da sala de aula. Até dos resultados escolares dos meus alunos tenho orgulho, apesar de trabalhar numa escola da Amadora, com um público-alvo complicado, maioritariamente proveniente de bairros sócio-culturalmente desfavorecidos e de países africanos de língua oficial portuguesa, com graves lacunas de base e dificuldades no acesso a recursos educativos fundamentais, para além dos problemas comportamentais que frequentemente apresentam.
Não fosse o congelamento da contagem de tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira docente, que vigorou, como é sabido, de 29/8/2005 a 1/1/2008, teria transitado para o 8.º escalão em 6/10/2006 (índice 245 do anterior estatuto da carreira docente). Não fosse o mesmo congelamento, teria completado os 18 anos de serviço docente necessários para efeitos de concurso para provimento de professores titulares, para o qual tinha os pontos mais do que suficientes para salvaguardar os quesitos exigíveis. Não tinha era ainda a experiência-tempo considerada suficiente para desempenhar as funções que se atribuem no Decreto-Lei nº 15/2007 aos professores titulares! Sr.ª Ministra, o tempo de serviço cumprido não é forçosamente sinónimo de trabalho de qualidade desenvolvido e experiência positiva adquirida, como facilmente o meu currículo pode atestar. Será que não tenho maturidade profissional (idade e tempo de serviço não tenho) para ter a experiência profissional necessária para desempenhar com qualidade as funções e atribuições nas estruturas de gestão intermédia que a lei confere aos professores titulares?!
Quero aqui expressar a minha profunda indignação e tristeza por viver num país em que o governo tem o colossal poder discricionário de pôr e dispor dos direitos constituídos dos cidadãos. Questiono-me se será legal e constitucional congelar a contagem de tempo de serviço que é efectivamente prestado, suspendendo, sem revogar, leis ainda vigentes? A ser legal e, pelos vistos será, na medida em que nenhum jurista arquitectou até agora argumento que o contrariasse, sinto-me profundamente vilipendiado nos meus direitos de cidadão e trabalhador honrado e brioso e enganado pelos meus governantes. Estou cansado (e só tenho 42 anos de idade) de carregar o país às costas por pertencer à classe social que mais “aperta o cinto”, paga as cíclicas crises económicas e suporta as engenharias financeiras para cumprimento dos critérios económicos de convergência europeia, com a agravante de integrar a função pública culpada por todo o despesísmo excessivo do aparelho de estado. Coitados de nós!
Pago os meus impostos todos até ao último cêntimo, sem hipótese de fuga que force a despesas estatais para cobrança coerciva dos mesmos, perco poder de compra real há mais de uma década, com os não aumentos salariais, com os aumentos sistematicamente abaixo da inflação e até, atrevo-me a dizer, com a “subtracção” de tempo de serviço para progressão na carreira.
Sr.ª Ministra, desde 6/10/2003 que sou remunerado pelo índice 218 da tabela retributiva e, de acordo com as leituras que a lei e as orientações tutelares emanadas até ao momento para reposicionamento na nova carreira de professor, serei colocado no 4.º escalão, tendo ainda, de acordo com o meu tempo de serviço, que cumprir, na pior das hipóteses, mais 2 anos e 3 meses contados a partir da data de descongelamento da contagem de tempo de serviço (1/1/2008), que configura a minha transição para o 5.º escalão apenas em Abril de 2010 (neste caso estarei a ser remunerado pelo mesmo índice 218 durante quase 7 anos) e, na melhor das hipóteses, terei que cumprir mais 1 ano, 1 mês e 9 dias, o que fará com que mude para o 5º escalão em 9/2/2009 (nesta situação estarei a ser remunerado pelo mesmo índice 218 durante quase 6 anos). Recordo que na anterior carreira docente este índice deveria vigorar apenas durante 3 anos.
Quero lembrar a Sr.ª Ministra que organizei a minha vida em função das condições de remuneração e progressão na anterior carreira docente. Ingenuamente, não duvidei dos nossos governantes e, imbecilmente, contribuí com 3 filhos para o crescimento natural da população portuguesa, que tanto precisa de incrementar a sua natalidade para não ter de importar população e para salvaguardar a sanidade financeira do aparelho da segurança social futura do país. Comprei, ainda, com recurso a crédito, um modesto T3 em 2.ª mão, sem garagem, nem arrecadação e localizado no Casal de São Brás, que há 5 anos atrás me obrigava a um esforço mensal financeiro pouco acima dos 400€, que agora corresponde já a um valor acima dos 600€, apesar dos lucros astronómicos e das benesses fiscais que os bancos apresentam, como sabe, o dinheiro para o cidadão comum está muito caro!
Sr.ª Ministra na anterior estrutura da carreira docente, com 10 escalões, na qual se atingia o topo da carreira em 26 anos (a entrada na carreira fazia-se no 3.º escalão), esperaria alcançar esse desiderato em 2014 (não tendo acontecido o já falado congelamento). Com a nova estruturação da carreira chegarei ao topo da carreira de professor em 2013 ou 2014, mas com uma diferença salarial substancial: no antigo 10º escalão ganharia 3004,68€ (índice 340) e no actual 6.º escalão auferirei 2165,14€ (índice 245, ao qual deveria ter chegado em 2006 não tendo acontecido o congelamento). Estamos a falar num atraso de 7 ou 8 anos em termos remuneratórios, com uma diferença salarial superior a mais de 800€ mensais, convenhamos que é muito dinheiro! Para atingir o índice 340, admitindo que consigo ser um dos professores de excelência e consiga ter a sorte de abrirem vagas para professor titular na altura certa, precisarei de penar até 2026, ou seja até ter 60 anos para auferir aquilo que poderia auferir aos 50 anos de idade. Devo ainda recordar-lhe que nos processos de concertação social de governos anteriores a classe docente aceitou aumentos salariais menos substanciais por contrapartida da redução do número de anos de serviço necessários para se atingir o topo da carreira, conquistas que agora foram ignoradas e retiradas.
Sr.ª Ministra, qualquer merceeiro será capaz de fazer as contas para chegar à soma avultada de dinheiro que esta reestruturação da carreira docente que o seu ministério introduziu me vai sonegar ao longo da minha vida activa. Só lhe posso dizer que o meu sentimento é de fúria, ainda maior quando são públicas as somas avultadas que membros do estado e quadros técnicos superiores auferem, já para não falar das reformas chorudas que são pagas por tempo irrisório de serviço. Diga, duma vez por todas, ao país qual a verdadeira razão da actuação do seu Ministério que, obvia e prioritariamente, é a redução dos gastos em recursos humanos educativos.
Sr.ª Ministra, os meus pais investiram, com muito custo e sacrifício, na minha educação e formação profissional e eu investi numa carreira em prol da educação do meu país, porque aceitei as regras então estabelecidas legalmente. Os meus pais e eu sentimo-nos profundamente vigarizados com tamanha mudança nas regras do jogo. Somos pessoas e as pessoas merecem ser tratadas com respeito e dignidade. Não o estamos a ser! As regras, a serem alteradas, deveriam afectar apenas quem agora entrasse na carreira docente. Em democracia, sempre me ensinaram que direitos conquistados não devem ser sonegados. Ou não será assim?!
Quero sublinhar que acho a avaliação de desempenho necessária e uma condição para discriminar positiva e verdadeiramente os melhores professores. Não tenho receio dela. Concordo com alguns dos princípios enunciados e até acho que a melhor forma de o fazer é através de pares, só que por pares com formação adequada, o que ainda não houve tempo para acontecer, e com tempo para consolidar e operacionalizar de modo ágil e coerentemente justo este novo modelo que nos é imposto. Antes de se implementar este modelo dever-se-iam criar nas escolas as condições necessárias para a sua execução, ao contrário daquilo que está a ocorrer em que o início da implementação do modelo é coincidente com o momento em que ainda se estão a desenvolver as condições para que o possa ser.
Quanto ao facto dos resultados escolares dos alunos deverem influenciar a avaliação de desempenho dos docentes, parece-me, antes de mais, que se trata de um critério profundamente discricionário, não sendo o mesmo ser professor numa escola central, numa do interior ou numa da periferia das maiores cidades, tamanha é a heterogeneidade dos alunos. Mesmo numa mesma escola existem turmas melhores e piores e não é a mesma coisa ser professor de Matemática ou de Língua Portuguesa e professor de Educação Física ou Moral, por exemplo.
Pertenço a uma comunidade educativa que recebe continuamente alunos estrangeiros, especialmente dos PALOP. A este propósito quero dizer que, a meu ver, esses alunos deveriam beneficiar de um ano zero para integração sócio-escolar e desenvolvimento das competências no domínio da língua portuguesa, situação que certamente custaria muito dinheiro, que o país não quer gastar, mas que seria pedagogicamente menos violenta para os alunos e para a escola e provavelmente possibilitaria melhores resultados escolares. De qualquer modo, sou professor de Geografia e lido bem com o imperativo de alcançar melhores resultados escolares para os meus alunos. Enquanto escola, também poderemos salvaguardar esse desiderato para todas as áreas disciplinares, criando mecanismos que permitam aferir os progressos dos resultados escolares dos alunos, temo é que, em termos de efectiva e real aprendizagem dos alunos, os resultados a atingir não sejam proporcionais e, nesse sentido, estejamos a contribuir ainda mais para uma literacia iletrada da nossa população futura. Reformulemos programas, reduzamos o número de disciplinas/áreas curriculares, acabemos com as avaliações sumativas intermédias na escolaridade básica e acolhamos melhor os alunos estrangeiros, talvez assim seja mais fácil construir um melhor futuro para a nossa população escolar e para o país.
Se em relação aos resultados escolares, os professores têm dificuldade em se assumir como principais responsáveis – então e os pais, as famílias? Então e os alunos que não estão atentos, que não trazem o material escolar necessário, que não estudam, que são indisciplinados? Então e a sociedade civil que se mobiliza pouco enquanto parceira educativa? Então e a entrada de alunos estrangeiros na escola, em pé de igualdade com os alunos que têm o português como língua portuguesa? Então e os programas extensos e os currículos desajustados face aos anseios actuais da população discente? Então e a avaliação sumativa final nacional aplicada num sistema avaliativo que é essencialmente formativo e contínuo e, por isso, flexível localmente? – Já em relação ao abandono escolar a nossa impotência é ainda maior. Sr.ª Ministra, nenhum aluno abandona a escola porque não gosta do professor X, Y ou Z. As razões do abandono escolar são, na maioria dos casos, exógenas à escola. Estão na família, no bairro, na marginalidade, na impunidade crescente dos jovens da geração “nike” que praticam furtos e outras actividades ilícitas que lhes possibilitam com facilidade acesso aos bens que ambicionam sem grande esforço nem punição. Naturalmente que já tive alunos que abandonaram a escola, sem nunca me ter sentido responsável por isso. Muitos deles passam pontualmente pela escola para visitar antigos professores e funcionários. Será que é porque não gostam deles?!
Diz-nos a coerência e a maturidade, que provavelmente a sua equipa ministerial ainda não terá, que a generalização de novos modelos deve ser precedida por períodos de experimentação a fim de se avaliar a sua eficácia, limar arestas e introduzir correcções, que não aconteceram nem para o novo processo de avaliação de desempenho dos professores, nem para o novo modelo de gestão e administração escolar. O primeiro é-nos imposto através de uma profusão, normalmente tardia, de normativos e regulamentos que desencadeiam uma catadupa célere de novas tarefas que induzem confusão e introduzem ruído pedagogicamente desaconselhável ao normal decurso das actividades de ensino e aprendizagem dos alunos. Já em relação ao segundo, não sei mesmo se seria aconselhável uma reforma radical do anterior modelo de gestão e autonomia das escolas, na medida em que a avaliação realizada indicou a existência de 86% de lideranças fortes. Sendo assim, talvez fosse apenas aconselhável uma reestruturação do mesmo no sentido de corrigir as situações minoritárias de liderança fraca. Então e o que de bom, de positivo e de potencial o modelo tinha, despreza-se?! Não será isto gerir mal o que de bom os recursos educativos têm em Portugal?! Sr.ª Ministra parece-me que o modelo que agora nos impõe vem ferir os fundamentos da gestão democrática das escolas, ao concentrar poder, quase absoluto, no director executivo. Bem sei que as escolas podem agora preocupar-se em regulamentar internamente normativos e preceitos que defendam o princípio da democracia. Contudo, o director executivo futuro pode não os vir a respeitar, na medida em que a lei a isso o não obriga de modo explícito. De qualquer forma, com este ou outro modelo de gestão, cá estaremos, eu e os meus colegas professores, para lutarmos e defendermos os interesses educativos desta comunidade escolar, assim a legislação não nos levante obstáculos!
Quero referir-me agora a uma das principais bandeiras da política do seu ministério – as aulas de substituição. Para o poderem ser, teria sido necessário proceder a uma avaliação séria do seu processo de implementação, o que me parece ainda não ter acontecido. Não sei se sabe mas, em muitas escolas, estas não existem para todas as situações de ausência de professores, por indisponibilidade de recursos humanos; numa parte considerável das mesmas não são trabalhadas questões da disciplina, apesar de obrigarem ao averbamento de faltas aos alunos na disciplina que têm em horário; para além de que uma parte considerável dos problemas de indisciplina que acontecem nas escolas, ocorrerem em aulas de substituição. Sr.ª Ministra, quando era aluno adorava ter “furos”, serviam para brincar, conviver e descontrair. Tive muitos, outros fi-los eu, e não fui, por isso, pior aluno, nem sinto que tenha tido maus professores, uma má escola e uma educação deficiente, antes pelo contrário. Quanto ao contributo das aulas de substituição para o sucesso escolar dos alunos, não existem, ainda, dados sólidos que o comprovem. Penso mesmo não existir uma correlação directa entre uma coisa e outra, porque em muitas delas não se exploram conteúdos programáticos, sendo apenas “entretidos” os alunos. Nesta perspectiva, é muito mais válido o processo de trocas entre professores para diminuir o absentismo docente e promover a aprendizagem.
Bem Sr.ª Ministra, esta carta já vai longa e, como pretendo que a Sr.ª ou alguém do seu gabinete a leiam na íntegra, resta-me terminar voltando a pegar numa das afirmações mais proferidas em termos de discurso do seu ministério para a opinião pública: “estas reformas na educação visam o superior interesse educativo dos alunos e a discriminação positiva dos melhores professores “. Não percebo como se descriminam positivamente os melhores professores com quotas por agrupamento de escolas. Até parece que passa a haver uma carreira por agrupamento em vez de uma única carreira nacional! A existência de quotas tem em si mesmo, no meu entendimento, o único fim de dotar todas as escolas com o número mínimo indispensável de recursos humanos para assegurarem o desempenho das funções e tarefas de gestão intermédia, mesmo que em algumas escolas possam não existir professores que satisfaçam os requisitos exigíveis para o efeito e, noutras, o possam existir em demasia. Apesar de não concordar com a fractura da carreira em 2 corpos, penso que seria mais inteligente, no sentido de atribuir justiça e equidade ao processo, rodar professores entre escolas próximas para garantir as necessidades de gestão intermédia de todas as escolas pelos professores mais competentes sem ferir a premissa de nos encontrarmos todos na mesma carreira e em igualdade de direitos e oportunidades (na mesma óptica do concurso público para director de escola!!!), que é retirada através deste processo de dotação de vagas para titular escola a escola apenas para os professores que nelas leccionam.
A fractura da carreira é puramente uma medida economicista. Não faz sentido que numa carreira que se diz docente, a essência da docência, que é a leccionação, seja desvalorizada em relação a outras tarefas, muitas das vezes, apenas burocráticas e administrativas de gestão intermédia. Não entendo esta necessidade de separar os professores dos outros que têm a superior maturidade e competência necessárias para o competente desempenho de cargos de gestão intermédia, entre os quais, eu e tantos outros como eu, não têm, naturalmente, cabimento, por infelicidade madrasta! Devemos ser um dano colateral desta “guerra” que edificará os alicerces de um melhor futuro educativo para o nosso país!!!
Com respeitosos cumprimentos.

Orlando Rodrigues Fonseca

Professor de Geografia do quadro de nomeação definitiva do
Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes

Nota: Esta carta será também enviada para a Presidência da Republica, para o Secretário de Estado da Educação, para a FENEPROF, para a CONFAP e para os gabinetes dos Secretários gerais dos partidos políticos PS, PSD, CDS-PP, BE e CDU.


Um tipo feliz

Março 25, 2008

35 anos passados na lutas de sala de aula. Sinto que o uso da minha autoridade, aquela que me reconheço e que procuro demonstrar através do exercício, tem sido suficiente para manter um clima de aula muito aceitável.

Quais os meus truques? Nada de especial.

1) No início do ano, marco claramente regras incidindo em especial sobre o ritmo de trabalho da disciplina que lecciono.

2) Se sou director de turma, os pais têm que conhecer as minhas regras, as nossas regras como grupo.

3) Nunca exijo nada aos alunos que eu não exija a mim mesmo. Se quero pontualidade e assiduidade serei o mais pontual e assíduo do grupo. Se exijo trabalho, eu trabalho. Se exijo que não se use telemóvel, eu exijo-me o não uso. As grandes regras são negociadas. Os alunos acabam por ser os primeiros disciplinadores quano perceberem que a disciplina é, além de básica, é uma mais-valia para quase todos os exercícios da vida.

4) A maior fonte de indisicplina numa aula, creio, é haver alunos sem nada que fazer. Ritmos elevados de aula participada, tarefas de desenvolvimento para alguns alunos. Evitar haver alunos sem nada que fazer. Muito trabalho é a melhor forma de evitar focos de indisciplina.

Na última década, a expulsão de um aluno da sala de aula é mesmo uma raridade.

Mesmo fora de aula, intervenho em casos de indisciplina, mesmo que não me digam directamente respeito. Não assobio para o lado e, digo, não gosto de ver professores a assobiar para o lado.

Tenho a sensação que as minhas aulas acabam por ter um ambiente bastante amigável, em que cada pessoa conhece os seus limites e os dos outros e os alunos, parece-me, se sentem bem, apesar de ser Matemática.

A disciplina nas escolas é essencialmente uma tarefa colectiva de professores, de alunos, de auxilaires. A explicitação das regras é fundamental. Cada pessoa ser exigente consigo mesmo resolve a maior parte dos problemas.

(os meus alunos são do ensino secundário. É com certeza importante a idade dos alunos para ambientes de aula produtivos. A minha escola é ainda um paraíso, mas no paraíso foi cometido o primeiro pecado )


Qual a probabilidade de ….

Março 24, 2008

Seja X a variável aleatória: ” número de dias n, contados a partir de 24 de Março que decorrerão até a Ministra da Educação ser apeada”

Notação: P[X<6]=0.8 representa que a probabilidade de a ministra ser demitida nos próximos 5 dias é de 80%.

Caracteriza a distribuição de probabilidade da variável X.


Resposta: Não sei bem, deve aqui envolver o cálculo de um integral.

Acho, no entanto, razoável a estimativa apresentada em notação e conjecturo que P[X<20]=1 , ou seja a ministra estará apeada em menos de 20 dias.


Males que vêm por bem

Março 24, 2008

O caso do vídeo da Escola Secundária Carolina Michaëlis é um mal que vem por bem. A sua inopinada divulgação provavelmente por um dos mânfios da turma está a prestar um excelente serviço à educação e ao país.

À colega, toda a solidariedade. Ela encarna aqueles que foram violados por miúdos badamecos, que se acham donos do mundo e com os direitos à delinquência sem fronteiras.

À aluna, aquela de ganga azul, coitada, aquela, que eu não conheço se Isabel ou Mafalda, talvez Joana, provavelmente nunca mais vai esquecer este episódio e quero crer que ela está arrependidíssima, Deve ser punida, imperdoável a sua atitude, mas a ela também o meu obrigado. Ela incarna uma certa camada da população escolar que não controla os seus apetites delinquentes. Mas eles existem, só na cabeça de alguns é que não. Não na cabeça de alguns pais que produziram umas jóias imensas, mesmo professores geraram crianças como a de calças de ganga azul, na cabeça de alguns pedagogos que acreditam que com restrições não explicados o mundo das crianças está a ser violado, na cabeça de muita gente estas crianças são como os gambozinos, não existem. Os professores sabem que eles existem.

Ao miúdo que se sentiu um Kubrik por trás do telemóvel, o Fred ou Dred ou Jorge, sei lá, foste um safardana. A tua pena deve ser igual à de calças de ganga azul, agravada pelos incentivos à javardice dos teus cúmplices. Não mereces perdão. De qualquer modo, obrigado pelo teu impensado acto de dispôr no querido e venenoso You Tube a tua prima obra. Conseguiste pôr à bulha todo este país em volta de uma causa que teimava não entrar na agenda da educação em Portugal. Tens sorte em os americanos terem-te batido na corrida, senão terias a CNN a disputar os direitos de publicação.

Aos portugueses, professores, aproveitemos, desfrutemos os factos.


Deus, Pátria e Autoridade ou talvez não

Março 24, 2008

Vieira da Silva

Nós, professores, acagaçámo-nos, há muito, perante a ausência de referentes reconhecidos e inquestionáveis. Deixámo-nos levar pelos receios do que os pais poderiam desencadear, deixámo-nos levar pela insegurança da democracia, deixámo-nos levar pelas mil e uma maneiras de olhar para um facto e receámos errar, de meter a pata na poça.

Acerca deste caso do vídeo já ouvimos lançar culpas e defesas sobra a aluna, sobre a professora, sobre os pais da aluna, sobre a Universidade que não deu preparação à professora para lidar com estas perturbações, sobre a avó da aluna, sobre o estatuto do aluno, sobre Maria Lurdes Rodrigues e Valter Lemos, sobre Pedro Duarte, sobre a Carolina Michaelis, sobre os telemóveis que filmam, sobre… e a lista podia continuar interminável

Reparei que a sala onde decorreu a cena tem uma zona elevada e que era a habitual zona do professor, do mestre. Não é importante o que essa palco representa agora, mas é importante lembrar o que representou.

A autoridade reconhecida do mestre, outorgado pela excelência do seu serviço. Uma autoridade como essa não se entrega, em bandeja, a políticos, religiosos, comerciantes ou corretores da bolsa, dirigentes de clubes ou a jornalistas. Mesmo a juízes tenho dúvidas que mereçam este tipo de autoridade. Se nada tenho contra nenhum em particular, o facto de o estado de direito ou do direito ser um dos opositores do estado da justiça e da verdade, leva-me a ter essa dúvida. O juiz deveria merecer incondicionalmente essa autoridade. De qualquer modo, o juiz intervém sobre factos consumados, sobre o foi. O professor intervém sobre o é e sobre o será.

 A democracia portuguesa ainda não arranjou substitutos para os pilares do fascismo salazarista: Deus, Pátria e Família ou Deus, Pátria e Autoridade.

Algumas ideias quiseram assumir-se como pilares.

  • a liberdade de dizer, de pensar, de exprimir, de ser, mas com uma delimitação pelo qual se exerce, qual pescadinha de rabo na boca.

(Cria muitas situações sem responsabilidade e sem responsabilização)

  • a expressão pelo voto

(de 4 em 4 anos lá vai quem vai, correndo o risco de criar ditaduras de maioria, com o espezinhar de tudo o que mexa, dos seus próprios apoiantes);

  • o mercado é quem manda

(esquecendo as pessoas, deixando o mercado funcionar, vão-se construindo negócios como a saúde, educação e a destruindo do estado social);

  • e o estado direito

(bem diferente do estado de justiça, requerimento vai, escuta não válida, juiz que se aninha, acusado com diarreia, o malabarismo do direito e a justiça que espere)

são criações para gerar a ilusão do que amamos, a democracia.

Se algum exercício carece de uma investidura de autoridade é o ser professor.

Talvez seja a profissão que está em melhores condições de a exercer.

O professor já não exerce de cátedra, Não exerce por ter sido dela destituído e ele próprio terá ajudado a essa destituição.

A matemática é uma ciência que atravessa a vida humana, desprezando os eleitoralismos, as coisas não se decidem por votações de braço no ar. Ela talvez seja uma das ciências que molda a figura do professor no sentido que a argumentação, o rigor, a justificação, a demonstração, a conjectura,…,fazem parte da imagem do ser professor.

O professor ideal é isento, imparcial , rigoroso, dispõe da capacidade de argumentação, não é confessional, não é racista, é tolerante para as diferenças, é-lhe exigido que seja um modelo de ética, é tanta coisa…

Não me importo de assumir uma superioridade em relação aos alunos que me cabem. Até sou superior quando aprendo com eles.

Concluindo, a democracia tem de constituir nos seus professores um dos seus pilares.

O professor tem que voltar a ser reconhecido como o Mestre.

Não há propriamente um poder divino para outorgar esta autoridade, mas os professores têm que a assumir dada por si mesmos, pelo juízo que faz das necessidades da democracia, È um auto-valor.


A única pessoa lúcida, na opinião de MLR, é Maria de Lurdes de Rodrigues.

Março 24, 2008

 

O Fim do Mundo, quem disse?

Maria de Lurdes Rodrigues ouvida por um nano-insecto do ministro Gago, durante uma conversa com os seus botões (mais ninguém a ouve)

 

Uma pessoa, será não pode governar este mar de gente imberbe, inculta, que não sabe o que é bom para elas?

Eles não me ouvem, não sabem ler os meus papéis!

Na vez de irem para a manifestação deviam ficar a ler em casa.

Logo 100 mil.

Bastava terem ido aí uns 20, um por cada associação, chegavam. Os outros muitos, 199 980, que ficassem a ler, que fizessem as contas dos progressos dos seus alunos.

Ir agora para a manifestação…

Foi só uma perda de tempo.

Era o que faltava, eu, Ministra da Nação, com letra grande , sim, não saber o que ando a fazer.

Era mesmo o que faltava.

O meu primeiro (o ministro) que anda tão calado sobre isto, também deixa antever o Fim do Mundo, a minha saída, o malandro.

Será que ele vai concluir que o que é bom para os portugueses é aquilo que o Mario (o Nogueira) diz e não o que eu, ministra, acho que é o óptimo para a nação?

Não, de todo, ainda há poucos dias (com ou sem h? oh, a falar não interessa) ele esteve sorridente, só, comigo. no Porto. Não pode estar a maquinar a forma de eu sair.

Ele ouvirá as minhas razões, a bem da nação.

E, era o que faltava, que a minha razão não contasse.

Mesmo o Miguel (o Tavares o que nem rico nem pobre, aquele que  fuma que se farta e se acha vilipendiado dos seus nobres direitos por não o deixarem fumar na missa, gostei daquela dos inúteis mais bem pagos do pkaneta), o Emídio ( que rangendo os dentes contra os hooligans deve tê-los agora, os dentes, partidos com as respontas que levou) e outros meus amigos começam a perder o estrelejar da razão, Valha-me o apoio do amigo Albino, branco de ideias até Almeida, que sempre vai defendo a dama, sim, eu sou a primeira dama, afinal a esposa de Sócrates nunca aparece (às tantas não tem), a primeira dama a aparecer sou mesmo eu.  A Maria de Cavaco não conta.

Era o que faltava eu não ter razão, eu, afinal, primeira dama.

Já não tenho qualquer dúvida.

Já não é o fim do Mundo, eu o salvarei,

Por isso não vou embora.

Quiseram,

uns comparar-me a Camacho, sobretudo os blogers, essses que se tivessem que escrever à mão (com h?, a falar não importa), não escreveriam tanto, dava muito trabalho,

outros querem comparar-me com o P. Tranquilo Bento que dizem que não tem coletes para aquele balneário.

Comparações tolas,

Eu aguento com 100 000 (fora os ameaços).

(quantos são , quantos são?… não era isto que o major das caravelas dizia?)

Eu sei que o que é bom para eles.

Era o faltava ceder agora.

Eles, que até vão ter uma avaliação mais porreira que os outros fp’s, não me querem?

Só podem estar doentes, coitadinhos dos meus meninos. Só quero o melhor para eles.

Eu sei o que é bom para a nação.

Agora com esta é que eu não contava.

O Mário (o Crespo), só pode andar a ver muitos videos para achar que a atitude sensata é a minha demissão.

Que esta é a minha ponte.

A ser influenciado pelo Marcelo. Só pode! Pensava eu que ele, o Mário, era maior.

Anda tudo a ficar insane.

Era o que faltava que eu não salvasse o mundo do fim do mundo.

Não me chame eu Maria de Lurdes de Rodrigues.

O meu 1755, a minha ponte,jamais ou jamé, desculpa Mário (ó Lino), tu me compreendes.

TRIM…TRIM

FIM DE LINHA.

PRÓXIMO!